terça-feira, 8 de junho de 2010

AS TRIBULAÇÕES E OPOSIÇÕES DO MINISTÉRIO CRISTÃO


“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33; Fp 1.29).

Introdução.

Quando fazemos uma retrospectiva sobre a vida dos homens de Deus no decorrer da história, verificamos que jamais existiu alguém que não tenha passado por lutas, cardos e dissabores, no exercício de seus ministérios. Isso suscita a pergunta: Porque tem que ser assim? Se a pergunta for desejosa por uma resposta sincera, logo se ouve o sussurro do Espírito Santo: “O mundo jaz no maligno e a obra de Deus é contrária à obra do maligno”. Apenas esta resposta já se torna suficiente para aceitar que há uma oposição progressiva a vida dos ministros de Deus gerando-lhes tribulações em todos os sentidos na vida daqueles que se dedicam a fazer o trabalho do Senhor. Esta é uma das lutas que se intensificam a cada dia que se passa devido à proximidade do retorno de Cristo, entretanto, há outros tipos de lutas que vão se desencadeando no exercício do santo ministério, e que o homem de Deus precisa estar plenamente consciente dessas aflições. Somente através da convicção de uma chamada ministerial pode-se superar tais intempéries. Vejamos como essas lutas se desenrolam e como vencê-las:

1. As tribulações do mundo das trevas (espirituais).

Para abrir um pequeno leque concernente a este assunto, vejamos o que diz o apóstolo Paulo a respeito do mundo a que outrora pertencíamos: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos de nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.1-3). Vamos pensar um pouquinho nestes opositores espirituais que nos cercam enquanto exercemos o ministério que Deus nos deu:

a) O curso deste mundo. O curso deste mundo é governado pelo “deus deste século” (II Co 4.4). Podemos afirmar que ele é responsável por boa parte de nossas tribulações. Suas ideologias bem como o seu código de conduta, para os cidadãos deste perverso sistema, conhecido como “sabedoria deste mundo”, muito bem enfatizado por Tiago que a classifica como “sabedoria animal, terrena e diabólica” (Tg 3.15), influencia este mundo em que vivemos. Ocorre, porém que é exatamente neste mundo que exercemos nossas atividades ministeriais. Assim sendo, devemos rechaçar esse “código de sabedoria diabólica”, para lograrmos êxito espiritual. Opor-se a este sistema, causa-nos lutas e tribulações. Tiago ressalta as qualidades desta sabedoria que quer nos sitiar como: “amarga inveja e sentimento faccioso” (Tg 3.14). Todos já sabemos que a inveja causa morte e assassinatos e o sentimento faccioso é partidarista, individualista e egoísta. Essas atitudes governam o mundo em que habitamos com toda sua intensidade. Quando reagimos através da sabedoria que vem de Deus, isto é: “com a pureza, paz, moderação, misericórdia, bons frutos sem parcialidade e sem hipocrisia e tratável” (Tg 3.17), incitamos o curso deste mundo para levantar-se contra nós, entretanto a sabedoria de Deus sempre suplanta a sabedoria do curso deste mundo. Com ela, venceremos os obstáculos e chegaremos ao nosso destino final.

b) O príncipe das potestades do ar. Este “príncipe” descrito como o “deus deste século”, é insistente e mestre em perseverança. Desestabilizar a vida do homem de Deus é sua tarefa principal. Ele quer de volta os seus antigos “servos”. É bom observar que o texto nos diz: “príncipe das potestades do ar”, e isto nos sugere uma multiplicidade de demônios que trabalham no esquema deste “príncipe”. Eles interferem nas administrações, governos, tomadas de decisões e toda espécie de leis contrárias à obra de Deus. Basta observar como é difícil aprovar uma lei que favorece o povo de Deus, mesmo tendo os nossos representantes nas diversas esferas do poder público. Há uma pressão perseverante contra o ministério de cada ministro de Deus nesta Terra. Não atentar para esta realidade é viver na cegueira espiritual.

c) O espírito que agora atua nos filhos da desobediência. O espírito da desobediência impera no mundo em que vivemos. Na verdade ele habita na vida de pessoas que não conhecem a verdade de Deus, isto é, não foram libertas, entretanto, há rondas e infiltrações deste “espírito de desobediência” no arraial dos santos (igreja) que contaminam o rebanho do Senhor, assim como ocorrem com as ovelhas, quando são acometidas de sarna ou mosca nasal, causando irritação e desconforto em todo o rebanho. Tais situações para um ministro de Deus geram preocupações e lutas que se unem na soma das tribulações ministeriais. Daí, a grande necessidade de ter intimidade com Deus para que nos revele o procedimento sadio e combater esses parasitas.

Paulo destaca com mais amplitude esses inimigos da obra de Deus em Ef 6.12, nomeando-os como “principados e potestades”. “Exousias e kosmokrátoras”, no grego. Essas palavras gregas, literalmente significam “governante mundial”, entretanto, neste texto refere-se a poderes malignos, que se levantam contra a obra de Deus.

2. As tribulações humanas.

Jesus salientou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). São diversas espécies de aflições que querem nos arrebatar de nossa vida ministerial. Às vezes temos a tendência de imaginar que alguns ministros ou obreiros não passam por tais situações pelo fato de não os ouvirmos argumentando ou porque os vemos pregando, aconselhando ou envolvidos com outros assuntos do ministério, contudo, podemos afirmar que não existe obreiro isento de aflições. Jesus conhecia muito bem esses momentos que todos passaríamos ao afirmar profeticamente que teríamos aflições. Vejamos algumas dessas aflições que ocorrem com os obreiros de Deus.

a) Aflições pessoais. O termo grego para “aflições” é “thlipsis”, que segundo o dicionário Strong: pode ser traduzido por: “Pressão, estresse, angústia, tribulações, adversidade, aflição, espremer, esmagar, apertar, sofrimento”. É colocar muita pressão no que está livre e liberto. Thlipsis é como pressionar espiritualmente a bancada. A palavra é também usada para esmagamento de uvas ou azeitona em uma prensa. Essas descrições etimológicas ampliam o entendimento daquilo que queremos expor como aflições. Nossa vida pessoal é marcada por momentos de pressões, que só a venceremos com a graça de Deus. Essas pressões podem ter muitos nomes: desejos não realizados, profissões que não podem ser exercidas, projetos que não se realizam por falta de verbas, incompreensões familiares, problemas conjugais, entre outros. A lista é enorme. Cabe nos escudarmos nas palavras de Jesus: (...) “Tende bom ânimo...” Essas palavras consoladoras revelam uma ação senadora através de nossa alegria e perseverança.

b) Aflições do cotidiano. O nosso cotidiano é cheio de surpresas. Nem sempre permanece a rotina. Podemos citar como exemplo a vida em uma cidade grande como São Paulo. Só quem vive nesta cidade é que sabe das aflições do ir e vir. São aflições para quem depende de ônibus, trens e metrô. Aflições para quem vai trabalhar de carro. Aflições da luta para não ser multado, não ser assaltado. Podemos acrescentar sobre as aflições que o consumismo gera através dos métodos apelativos de propagandas fazendo a população gastar até mesmo aquilo que não tem. O cotidiano de um homem de Deus também passa por muitas dessas aflições. É sempre bom pensar que ainda estamos na Terra, mas há poder no nome de Jesus! Aleluia!

c) Aflições carnais. A carne, isto é, nossa natureza humana, nos prova nas diversidades da vida. O apóstolo Paulo narra a guerra entre as duas naturezas no capítulo 7 de Romanos de uma forma impressionante. Suas palavras nesse capítulo nos colocam como reféns desta natureza carnal, que só pode ser vencida através da renuncia e “renúncia que não dói, não é renúncia”, conforme ouvi de um pregador em nossa igreja. Paulo chega a declarar da seguinte forma: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.18,19). Receber uma revelação salvífica e uma transformação interior, não reverte essa situação, apenas lhe dá força e capacitação para vencê-las através do espírito de renúncia e confiança em Jesus Cristo (Rm 8.1). Andar em “espírito” é a nova maneira de viver para os que estão em Cristo Jesus. Esta aflição da carne nos acompanha enquanto estivermos neste limitado corpo. Ainda bem que é temporário. Aleluia!

d) Aflições familiares. Viver em família é também saber administrar conflitos. Nem todos estão preparados para administrar “conflitos familiares”. Eles surgem de repente. Assim, podemos dizer que o lugar mais difícil para exercer o Cristianismo é dentro de nossos próprios lares. Na família, todos se conhecem e sabem de nossos defeitos, nossos cacoetes, quem conseguir ser cristão dentro de casa, poderá ir longe no exercício ministerial. Infelizmente temos muitos como Naamã: Herói lá fora, mas dentro de casa, leproso. Essas aflições familiares são comuns, entretanto o homem de Deus necessita graça de Deus para vencê-las e ao mesmo tempo ser uma bênção para outras famílias em conflitos. Paulo pode dizer no final de sua carreira: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”. Que sejam assim nossas atitudes no decorrer de nossa vida.

3. As tribulações do sistema eclesiástico.

Enquanto a igreja imerge na simplicidade, como no nascedouro de uma nova congregação com o desenvolvimento da koiononia, espiritualidade e acima de tudo o amor, a Igreja fica parecida com Cristo. Assim foi o início das grandes denominações que hoje campeiam nossa nação. Entretanto, com o seu crescimento, também cresceram os problemas e o jogo de interesse no meio da igreja. Não queremos com isto dizer que a Igreja deixou de ser Igreja, mas quando a instituição cresce, também crescem os problemas e concomitantemente, as tribulações oriundas do mundo eclesiástico. Essas tribulações são históricas, basta dar um a olhadela nos problemas da igreja primitiva, e posteriormente o seu crescimento nos primeiros séculos, com divisões, heresias, falsidades e supremacias de uns grupos sobre outros. Entretanto, apesar de tudo isso, a igreja de Cristo subsiste e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). Contudo precisamos exercer o ministério com sabedoria e acuidade.

a) O problema competitivo. Isso é incrível, mas existe. Esta competitividade cresce, à medida que cresce a instituição. Entrementes, existem várias espécies de competitividade no meio eclesiástico. Podemos citar com assombro, a competitividade denominacional. Este é um dos fatores que vergonhosamente nos separa e se exclusivisa no cenário cristão, fato totalmente contraditório nos ensinamentos de Jesus. Nesta linha de raciocínio cada denominação gera suas políticas prisionais de seus membros em relação às outras denominações que “supostamente” pregam a mesma Bíblia e o mesmo Jesus. Esta é apenas uma das “questiúnculas”, que embora lamentável, é compreensível pelas formas de doutrinas que adotaram para diferir de outras. Contudo, haveríamos de supor que dentro de uma mesma denominação não existissem tais complicações. Infelizmente, continua o mesmo espírito exclusivista que cresce na medida em que cresce a denominação. São presidências de Igrejas, de convenções e de outros órgãos, em que seus líderes insinuam suas eternizações inquestionáveis, gerando desconforto generalizado entre os demais. Normalmente estes se cercam de “discípulos da concórdia eternizada e inquestionável”, que concordam com tudo, principalmente com os mais terríveis erros doutrinários e teológicos. Esta é uma competição desigual e maligna, mas, felizmente temporária; querendo ou não, o tal déspota que a governa. Aleluia!

b) O problema da inveja. A inveja é irmã gêmea do orgulho e do individualismo. É uma “erva daninha” que vai tomando forma e crescendo na vida dos incompetentes. Quando Deus levanta um dos seus ministros ou outros talentos que se sobressaem no exercício de suas funções com reconhecimento diante da igreja, ao mesmo tempo se levantam pessoas para colaborar com a causa, mas, levantam-se também os invejosos para colocar tropeços no avanço do trabalho que Deus entregou nas mãos de seus ministros. Tais pessoas não se expressam necessariamente, mas, suas atitudes revelam um trabalho opositor, assim como faziam Sambalate e Tobias contra Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 1.10,19-2). Isso gera tribulação na vida de um homem de Deus, todavia estes baluartes do Senhor se refugiam na oração e na proteção do altíssimo.

c) O problema político eclesiástico. A política eclesiástica é uma faca de dois gumes. Tem o seu lado bom, mas não deixa de ter o ruim. Por causa da política eclesiástica sem a direção de Deus, pastores sem vocação para o ministério têm assumido igrejas, causando um verdadeiro desastre em algumas localidades. Que bom seria, se em nossas igrejas houvesse o mesmo princípio da Igreja de Antioquia: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Saulo para uma obra que os tenho chamado” (At 13.2). Entendo que ainda existem “envios” direcionados pelo Espírito, mas também existem muitos que Deus jamais esteve nesse “envio” ou nesta posse. São situações resolvidas às escondidas com os devidos favorecimentos, ou “ágios”. Gente que nunca teve chamada ou inclinação para o “santo ministério”. Obreiros vazios e sem o devido preparo para tais posições. É o cumprimento da profecia paulina: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmo, avarentos presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, cruéis, sem amor para com os bons...” (II Tm 3.1-3). O princípio desta política maligna não é quantas almas serão ganhas e acrescidas, mas quanto vai render para mim... É a política individualista e egoísta! Dentro de um sistema com essas características, não vale ser homem de Deus ou mulher de Deus, mas a lei da conveniência. Isto traz tribulações infindas, que Deus nos ajude!

d) O problema da liderança despótica. Existem muitos líderes sem o devido merecimento. Nada fizeram, nada conquistaram e no decorrer de suas atividades captaram mais antipatia que simpatia. Chamam atenção para si em tudo, e por ironia ou outra coisa que nem sei definir agora, foram guindados a um poder temporário. Com muito acerto podemos dizer que o pódio não foi necessariamente uma conquista, mas uma imposição diante de mentes incautas que nem sabiam que tinham o direito de protestar. Outros, nada emitiram pelo fato de ser parte de uma cadeia de acontecimentos “despóticos”, igualando-se ao “déspota maior”. Assim, talvez, todos são “déspotas” que conservam um modelo repugnado por eles mesmos, mas admitem não encontrar outra forma de sobreviver. Logicamente, tais pessoas encontrariam outra forma, se de fato estivessem interessados, mas para que isso ocorresse, deveria abrir mão de benesses e recomeçar. Isso não passa na memória da grande maioria pertencente a este sistema. Sendo assim, melhor mesmo é conservar o “embusteiro” da liderança forçada. Esse tipo de “liderança” tem grande capacidade de gerar seus iguais, e o prejuízo continua, mas Deus tem um julgamento na medida para tais “líderes”. O tempo está próximo.

4. Armas que Deus coloca a nossa disposição para vencer essas tripulações do Ministério: (Ef 6.13-18).

Não podemos lutar sem armas, mas também não podemos usar qualquer tipo de arma. Isto é, jamais podemos lutar com armas humanas. Essa luta não contra carne e sangue. É hora dos ministros do Senhor se unir na especialização de armas espirituais. Medir força física, política ou humana não fazem a única diferença neste processo que estamos vivendo nestes últimos dias. Necessitamos saber usar apenas as armaduras espirituais. Deus sempre agirá em favor de sua Igreja santa, pura aquecida e aguerrida. Vamos relembrar de nossas armaduras:

a) As armas de defesa: Vamos seguir o método paulino tomando o exemplo das armaduras antigas como símbolos de nossa armadura espiritual. Paulo era homem intensamente viajado pelo Império, tendo sido encarcerado e solto por muito vezes, e estaria bem familiarizado com as armaduras de seu tempo:

• “Perikephalaia”. (O capacete). Esta protegia a cabeça. Era feito de várias formas e de vários metais, e com freqüência era decorado com grande variedade de figuras. Alguns capacetes possuíam uma crista, ou como um ornamento ou com a finalidade de aterrorizar, com figuras de leões, corvos, grifos, etc. Este último era um animal lendário, com corpo e pernas traseiras de leão, e cabeças e asas de água. Paulo faz o capacete representar a “salvação”.
• “Zoma”, o “cinturão”, posto em torno da cintura, útil para apertar a armadura em volta do corpo, mas também para sustentar as adagas, as espadas curtas ou quaisquer outras que ali pudessem ser penduradas. Paulo faz do cinturão símbolo da “verdade”.
• “Thoraks”, o “peitoral”, que consistia de duas partes, chamadas “asas”. Uma delas cobria a região inteira do peito, a parte frontal do tórax, protegendo os órgãos principais da vida, ali contidos. E a outra parte cobria uma parte das costas. Paulo faz isso representar a “justiça” ou “retidão”.
• “Knemides”, as “grevas”, que serviam para proteger as canelas, isto é, do joelho para baixo, e com frequência com uma extensão de couro que também protegia o pé.
• “Cheirides”, espécie de “luvas” que serviam para defender as mãos, bem como o antebraço, até ao cotovelo.

b) As armas de ataque:

• “Egchos”, a “lança”, usualmente munida de uma ponta de bronze ou de ferro, com uma longa haste de madeira dura, geralmente de “freixo”, árvores pertencente ao grupo da oliveira, mas dotada de uma madeira dura e elástica.
• “Doru”, o ”dardo”, menor e mais leve que a “lança”, que era atirado contra o inimigo ainda à distância.
• “Ziphos”, a “espada”, que tinha várias formas de dimensões. As primeiras eram feitas de bronze, e mais tarde começaram a ser feitas com outros materiais. Todas as espadas referidas nos escritos do Homero são as de bronze. Esse é o símbolo usado por Paulo para indicar a presença do Espírito Santo.
• “Machaira”, palavra que também significa “espada”. Mas era mais curta um pouco, frequentemente usada pelos gladiadores. Contudo, esta e a palavra anterior com frequência eram usadas como sinônimas, sem diferenças apreciáveis.
• “Aksine”, a “acha de armas” ou “machado de guerra”.
• “Pelekus”, a dupla “acha de armas”, com uma folha afiada para cada lado.
• “Korune”, a “maça”, feita de ferro, muito usada pelos persas e gregos.
• “Tokson”, o “arco”, completo com a “pharetta” “a aljava” e as flechas que no grego têm o nome de “bele”.
• “Sphendone” a “funda”, muito usada pelos hebreus e muitos outros povos, com grande habilidade.
• “Akontion”, o “dardo”, outro tipo de lança, mais leve que o “echos”.
• “Belos”, “flecha”.

Todas estas armas nos trazem um simbolismo riquíssimo como armas espirituais, muito bem explicitadas pelo apóstolo Paulo em sua epístola aos Efésios capítulo seis, versos dez em diante. Para cada armadura pode-se fazer um comentário pessoal e enriquecedor, de acordo com a luta cotidiana e individual que sofremos.

c) Outras Recomendações paulinas para o enfrentamento do inimigo:

• Firmeza contra as astutas ciladas do diabo (Ef 6.11). No grego “ciladas” é “methodeia”, que quer dizer “astúcia”, “planos” “esquemas”, ou, em linguagem militar, “estratagemas”. Quando tal palavra se aplica a Satanás, no NT, porém sempre indica seus maus desígnios. O comandante das forças malignas é o “diabo”, o grande mestre do ludíbrio e do engodo, que capitaneia as forças do mal com o bem. Sendo ele o comandante das forças malignas, é óbvio que toda a armadura espiritual é necessária para o crente, com toda a oração e súplica, para que essas forças sejam derrotadas. O fato que tantos crentes são derrotados na refrega é prova que não se têm preocupação com a preparação para a batalha espiritual, adquirindo a armadura espiritual necessária; e nem oram, com suficiente perseverança, para que o mestre supremo do mal seja vencido em suas vidas.

• Ficar firme (Ef 6.13). A recomendação paulina era para: “ficar firme”. No grego: “istemi”, que significa: ”oferecer resistência permanente e firme”, dando a entender que o crente deve resistir aos assédios da impiedade, deve batalhar com êxito, obtendo a vitória. Essa expressão indica a linguagem dos soldados: “Não recuar”, ao invés de fugir derrotado.

• Oração. Era costume, entre os antigos gregos e romanos, depois de terem revestidos de suas armaduras, comerem juntos e precederem o ataque com uma súplica aos deuses, pedindo sucesso. E esse costume se reflete no décimo oitavo versículo do capítulo seis de Efésios, pois além do revestimento da armadura, Paulo recomenda “... toda oração e súplica, orando em todo o tempo no espírito, e para isto com toda perseverança e súplica...” (Ef 6.18).

Entre os principais esquemas malignos do diabo na época de Paulo, destacava-se o esquema do erro, a teia bem tecida da ilusão gnóstica, na qual o apóstolo temia que as Igrejas da Ásia se deixassem enlear. O império de Satanás é governado com uma norma fixa, e sua guerra é levada a efeito com um sistema de ataque. As múltiplas combinações do erro, as várias artes da sedução e da tentação, as dez mil formas de engodo da injustiça, constituem as “ciladas do diabo”.

Conclusão.

Sabendo que este inimigo é espírito e precisa usar corpos para desempenhar seus astutos intentos, temos o desprazer de ver homens e mulheres, bem como líderes de sistemas e organizações, totalmente influenciados e “demonizados” com planos malignos e como fiéis discípulos das causas malignas. O mais triste é que às vezes esses planos “satanizados” entram na administração de certos sistemas eclesiásticos, com uma dosagem de piedade. Somente os eleitos de Deus, os vigilantes espirituais conseguem ver, e isto gera uma luta travada contra essas infiltrações no cerne da igreja. É lamentável que nesses sistemas, uma grande maioria se inclina aos feitos de tais lideranças como se fosse obra de Deus. São apenas estátuas: tem olhos, mas não vêem; boca, mas não falam; pés, mas não andam; mãos, mas não apalpam. Que o Senhor nos ajude a lutar contra esse reino da oposição que cresce no meio da Igreja. Vamos usar as armaduras de Deus com maestria e muita prudência.


Pr. José Elias Croce

A IGREJA E SUA MISSÃO DE SER UMA BÊNÇÃO


Introdução.

“A Igreja é uma fonte de riquezas de todos os níveis para os cidadãos da Terra” (Gn 12.1-3).
Antes de descrever essa peculiar missão da Igreja, vamos meditar abreviadamente sobre o que entendemos por “bênção”. O que seria essa bendita descrição? Quando podemos dizer que estamos vivendo sob bênção? Essa expressão é muito popular entre os evangélicos, fazendo parte do vocabulário dos crentes entre suas conversas e diálogos. Não tem sido popular no mundo secular, talvez pelo fato de estarem distante do culto a Deus e a frequência na Igreja. Entretanto, quando se diz: “Bênção”, tal palavra é carregada de um acontecimento divino, sinalizando um milagre ou uma interferência de Deus na nossa vida. Creio piamente que nesse bendito momento você debaixo de uma grande bênção! Deus disse a Abraão: “... E tu serás uma Bênção” (Gn 12.2).
1. O que se entende por Igreja?
A Palavra “Igreja”, no grego, “ekklésia”, significa “chamados para fora”. Originalmente, os cidadãos de uma cidade eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de tratarem assuntos comunitários. Da mesma forma, igreja é um grupo de pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial, pertencer a Deus e servi-lo (I Pe2. 9,10; I Ts 1.9).
a) “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).
Essa pergunta de Cristo aos seus discípulos forçou-os a pensar numa definição da missão cristológica, que consequentemente tornar-se-ia o fundamento da Igreja. “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16.16). A partir desta resposta, Jesus fez uma enfática declaração revelando aos seus discípulos a edificação, a jornada e o futuro de sua Igreja na Terra. O Senhor afirmou a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Quando o Mestre enunciou: “edificarei a minha Igreja”, identificou-se como o seu Arquiteto, cuja edificação entender-se-ia até “à consumação dos séculos” (Mt 28.2)

b) A Igreja é uma agência Divina na Terra. Tendo Cristo como fundamento, a Igreja torna-se numa fonte de Bênçãos aqui na Terra. Embora, haja falta de compreensão de uma grande maioria sobre o que representa a Igreja, estes, mesmo em suas ignorâncias são abençoados pela existência da Igreja. Onde se instala uma nova igreja, mesmo na sala de uma residência, nesse local chega uma nova fonte de bênção. Essa tem sido a nossa vocação: “Abençoar todas as famílias da Terra”. A bênção destinada a Abraão continua através da Igreja, tendo como fundamento nosso Amado Cristo. (Gn 12.2,3).

2. A Igreja é uma Instituição que Abençoa a Terra.
“Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. Quando examinamos o pacto de Deus com Abraão, observamos que Suas promessas para abençoar a Abraão não foram com o objetivo de excluir as nações de Sua bênção, mas de prover um canal pelo qual todas as nações seriam abençoadas. Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. A presença do povo de Deus na Terra abençoa as pessoas. Como exemplo podemos relembrar a intercessão de Abraão em Gn 18.23-33. Deus não destruiria uma cidade se nela houvesse apenas dez justos (v.32). A conscientização desta verdade deve dominar a vida de todos os servos do Senhor. Fomos chamados para ser canal de bênçãos.

a) A Bênção da Evangelização. Sempre devemos interrogar a nós mesmos, como poderíamos ser a mais completa bênção para o outro. Poderíamos momentaneamente talvez imaginar outras coisas, entretanto, o Espírito Santo nos inspirará a falar do melhor que pode acontecer a um ser humano, que é o conhecimento das Boas Novas. (Jo 8.32; 14.6; Mt 11.18). O Evangelho de Cristo se constitui no Poder de Deus para salvação de todo aquele que nEle crê (Rm 1.16,17). É somente através da evangelização que o homem conhece o meio eficaz da salvação. Logicamente que para evangelizar, é necessário entender amplamente o significado da palavra salvação e ao mesmo tempo ter experimentado os seus benefícios. Argumentar sobre salvação também é também revelar a condição de condenação que todos os sem Cristo estão envolvidos segundo a Bíblia (II Ts 1.8,9; Ef 2.1-3; Rm 3. 23; 5.12; 6.23; Jo 3.16).

b) A Bênção da Revelação. A presença da Igreja na Terra constitui-se na maior oportunidade do homem, pois Deus lhe deu uma revelação das coisas eternas. Enquanto o mundo secular preocupa-se com as coisas da Terra, isto é, com aquilo que é passageiro, a Igreja ocupa-se naquilo que é eterno (I Jo 2.15). Deus se revelou a Igreja de forma magnífica. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A Igreja possui um ensino libertador com um conteúdo eterno (Jo 8.36). Tudo o que o homem precisa está inserido nos ensinos da Igreja (I Pe 2.9). A revelação do caminho, do céu, das verdades eternas e questões espirituais das mais variadas formas que se possa imaginar, encontram-se nos ensinos e ministrações que Deus deu a Igreja (Mt 13.11). Envolver-se com a Igreja é entrar nos caminhos da sabedoria e ser templo do Espírito Santo (I Co 3.16; Ef. 2.21).

c) A bênção da Intercessão. Cabe à Igreja, enquanto estiver na Terra a missão de interceder por aqueles que estão em eminência (I Tm 2.1-3). “... Para que temos uma vida quieta e sossegada...” (v.2). Alguns ainda não perceberam a grandeza do poder da intercessão em nome de Jesus. Cabe essa colossal tarefa à Igreja e nesse exercício muitas vidas estão sendo abençoadas, pois essa prática abençoa as pessoas. Temos exemplos sobejos nas Sagradas Escrituras do poder da intercessão e seus resultados. Portanto, ser amigo de um crente, visitar uma igreja ou levar alguém a Igreja é conduzi-los a uma fonte de bênçãos.

3. O Impacto da Bênção Ética.
Numa sociedade corrompida, a Ética Cristã, gera impacto em todos os sentidos. Quando um cristão se recusa a mentir, se drogar ou cometer adultério revela a sua submissão ao Espírito Santo (Lc 14.33). Esse impacto é causado pelo compromisso e submissão ao Espírito Santo e consequentemente pela renúncia quotidiana. Em algumas situações essa mudança no indivíduo causa gracejos por parte dos incrédulos, pelo fato de interromper imediatamente um costume mundano antigo, causado pela conversão. Nesse caso a Ética Cristã supera as demais, por ser gerada pela presença do Espírito Santo. (Gl 5.25)

a) Nos Novos Convertidos. Um novo convertido demonstra sua nova vida através do efeito do Espírito de Deus no seu interior, como já disse o Apóstolo Paulo “Nova criatura” (II Co 5.17), ou como disse o Senhor Jesus: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O maior impacto da Ética no novo convertido surge através da mudança de comportamento. Essa mudança de vida do crente é percebida pelo incrédulo, mas não entendida conf. (I Co 2.14). A conversão traz consigo atitudes, costumes e comportamentos, completamente diferentes daqueles que eram outrora praticados, a tal ponto de gerar um certo inconformismo das atitudes, e posturas anteriormente praticadas. (Lc 15.21).

b) Na Sociedade. Jesus disse em Mt 5.13,14: “Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo”. Os dois valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e ao mesmo tempo, deve militar contra o mal e a corrupção na sociedade. O sal também representa as ações de ordem e equilíbrio que os cristãos exercem na sociedade. Como luz, o cristão deve ser um exemplo ético para todos os seus observadores. No Antigo Testamento, os rabinos referem-se à luz, atribuíam-na sempre a Deus, à Lei (Torah), a Israe. Assim é que Davi, em II Sm 21.17, aparece como a lâmpada de Israel. Os descendentes de Davi também são tidos como lâmpadas (I Rs 11.36; 15.4; Sl 132.17; Lc 2.32), chamados para brilhar neste mundo corrompido e perverso (Fp 2.15).

c) No Lar. A tragédia dentro do lar começa quando perdemos alguns valores. (Lc 15.9). Infelizmente, já não se conserva a Ética familiar em muitos lares. Muitos valores foram perdidos dentro do lar. Quando há prioridade para a palavra de Deus e a oração, certamente, os valores éticos ressurgem. Para encontrar a moeda perdida a mulher de Lc 15, teve que fazer três coisas fundamentais: “Acender a candeia, varrer a casa e buscar até achá-la”. Quando acontece a transformação na vida do marido ou da esposa, o Espírito Santo gera Ética no coração do converso manifestando-se em atitudes éticas gerando impacto benéfico que glorifica a Deus.

d) Na Conduta Cristã. Normalmente quando alguém se identifica como cristão, o nome já requer atitudes éticas, tendo em vista que o livro texto do cristão é a Bíblia Sagrada. Esse conceito pode nos deixar pensativos no que tange ao que não devemos fazer. Mas o propósito do nosso viver deve ser aquele que Pedro repetiu em sua epístola (I Pe 1.16): “Sede santos, porque Eu sou santo”. O conceito de viver de uma forma santa significa mostrar nas suas boas ações de Cristão, o exemplo encontrado na vida e ensinamentos de Jesus. Nossa obediência aos seus mandamentos, acompanhada de confiança nas suas promessas, nos traz grande satisfação e alegria em vez de frustração. Jesus é nosso exemplo. Somos responsáveis pela nossa voluntária colaboração com Cristo na criação de uma vida afirmativa e abençoada que resulta do nosso amor por Ele. (Jo 14.23; Ef 5.15).

4. A Missão da Bênção Espiritual da Igreja.
Uma das coisas mais salutares nesses tempos difíceis é desfrutar das bênçãos espirituais. O Apóstolo Paulo sinaliza e extensão desta bênção quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1. 3). Nessa mesma linha teológica argumenta escrevendo aos Coríntios: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém, é discernido...” (I Co 2.14,15). Nessa lida, a igreja tira as cortinas e revela os mistérios de Deus ocultos nos séculos (Col 1.26). Para que isto ocorra, é necessário ir além do natural, e isso somente é possível através do poder do Espírito Santo, concedido a Igreja (At 1.8,9). O Pastor Marcelo Rodrigues de Aguiar da Igreja Batista em Mata da Praia, E.S argumenta que “a Igreja deve ser uma bênção Profética, Espiritual e Emocional.”

a) A Igreja é Uma Benção Profética. O Senhor concedeu a alguns o privilégio de serem seus porta-vozes, prevendo desdobramentos futuros na vida de homens e nações. Nas Escrituras, essas pessoas são chamadas de profetas. Suas bênçãos (e até suas maldições) eram comunicações das bênçãos e maldições determinadas por Deus.
Ao abençoar Jacó e Esaú, Isaque foi usado por Deus para descrever com exatidão o que aconteceria a eles e seus descendentes (Gn 27.27-29, 38-40, 25.21-23).
Ao abençoar seus filhos e netos, Jacó profetizou sobre o futuro de cada uma das tribos de Israel (Gn 48.15-20; 49.1-28). Josué lançou uma maldição sobre aquele que reconstruísse a cidade de Jericó, e ela se cumpriu vários séculos mais tarde (Js 6.26; I Re 16.34). Observe que a maldição foi pronunciada por Josué, mas procedeu do Senhor.

O profeta Eliseu amaldiçoou alguns jovens que zombavam dele, e foram mortos por duas ursas (II Re 2.23,24). Jesus amaldiçoou uma figueira, e ela secou-se (Mc 11.11-14, 20, 21). O sumo-sacerdote Caifás, mesmo sem saber, foi usado por Deus para profetizar que Jesus morreria em lugar dos salvos (Jo 11.49-52). O que é impressionante na bênção profética é o fato de ela se cumprir fielmente. No entanto, precisamos saber que aquilo que se cumpre não acontece simplesmente porque as pessoas falaram, mas porque Deus falou através delas. O poder não está na palavra do homem, mas na palavra de Deus. A bênção e a maldição são determinadas por Deus, como resultado do comportamento do homem. Sendo assim, se uma pessoa amaldiçoa sem que isso tenha sido ordenado por Deus, tal maldição não se cumpre (II Sm 16.5-13; 19.15-23). Da mesma forma, não existe bênção profética se a iniciativa não tiver partido do próprio Deus (I Re 22.6,11, 12,34-37). A palavra humana não tem poder para criar nada! Só Deus tem poder para criar através da palavra. Na bênção profética a iniciativa é de Deus e não do homem. Não podemos criar nada através de palavras, nem forçar Deus a fazer nada através de palavras. O que conta é a bênção de Deus (Sl 109.28).
Nos nossos dias existem indivíduos que vivem com medo de ser amaldiçoados por palavras e ações alheias. Na verdade, há igrejas que ensinam isso. Elas conduzem seus seguidores a um estado de paranóia religiosa, insegurança e fanatismo. Mas os exemplos acima mostram como esse temor é infundado. Não é da vontade de Deus que os seus servos respirem uma atmosfera de medo e preocupação (Is 32.18).
b) A Bênção Espiritual. O aspecto espiritual da bênção talvez seja aquele ao qual estejamos mais acostumados. Toda bênção pronunciada é, de certa forma, uma oração. É uma súplica a Deus, porque Ele é a fonte de todas as bênçãos (Tg 1.17). Quando abençoamos alguém, estamos dirigindo a nossa fé ao Senhor, e rogando-lhe que seja favorável a essa pessoa. É também importante que aquele que abençoa seja alguém temente a Deus (Jo 9.31). Abraão pediu que Deus abençoasse seu filho Ismael, e foi atendido, ainda que a concepção daquele menino tivesse sido contrária à orientação divina (Gn 17.18-20). Jabez fez uma oração pedindo a Deus que o abençoasse, e também foi atendido (I Cr 4.9,10). Davi intercedeu por seu filho Salomão e Deus abençoou-o, poupando-o mesmo quando ele incorreu numa série de pecados (I Re 11.11-13). Timóteo, companheiro de Paulo nas viagens missionárias, foi abençoado pelas preces de sua mãe e sua avó (II Tm 1.5). Nenhum pai deveria negligenciar a tarefa de abençoar seus filhos, seja dizendo isso em voz alta, seja orando por eles a Deus. De certa forma, pai e mãe são os sacerdotes do lar. Podemos também abençoar nossos pais, irmãos, amigos, a nação e o governo intercedendo em seu favor. O Senhor nos deu o privilégio de abençoar. Seus ouvidos estão continuamente abertos às nossas preces.
Ao retornar vitorioso da batalha, Abraão foi abençoado por Melquisedeque (Gn 14.18-20). Chegando ao Egito, Jacó abençoou Faraó (Gn 47.7). No deserto, o sumo-sacerdote Arão abençoou o povo escolhido (Nm 6.22-27). Em Canaã, Josué abençoou as tribos de Israel (Js 22.6). Mais tarde, Davi abençoou seus súditos e sua casa em nome do Senhor (II Sm 6.18,20). Quando o templo de Jerusalém foi inaugurado, Salomão abençoou o povo (I Re 8.54,55). Chegando ao Novo Testamento, encontramos Jesus abençoando o pão antes de multiplicá-lo (Mt 14.19) e de instituir a Ceia (Mt 26.26). Ele também abençoou as crianças (Mc 10.16) e os discípulos (Lc 24.50). O apóstolo Paulo tinha o costume de iniciar e terminar suas cartas pronunciando bênçãos sobre os leitores (II Co 13.13). A bênção espiritual é, portanto, uma oração pedindo coisas boas para alguém. Ao contrário da bênção profética, a iniciativa aqui não é de Deus, mas do homem. E a maldição espiritual? Seria também uma oração, só que pedindo coisas ruins. No entanto, a Bíblia nos exorta a não fazermos esse tipo de oração (Rm 12.14; Jd 9). O crente deve ser apenas instrumento de bênção, jamais de maldição.
c) A Bênção Emocional. A palavra humana não tem poder para criar realidades. Ela, no entanto, gera situações. Tais situações podem influenciar as pessoas para uma ou outra direção. Este é o aspecto emocional da bênção. Quando damos a uma pessoa amor e valorização incondicional, pronunciando palavras que ajudem a visualizar um futuro de esperança e a entrar em contato com o seu potencial, estamos gerando uma situação propícia para que boas coisas aconteçam em sua vida. Se, pelo contrário, a rejeitamos ou de alguma forma damos a entender que o nosso amor está condicionado ao cumprimento de exigências, ou dizemos palavras que a marquem negativamente, ela passa a viver debaixo de uma “maldição” psicológica. As crianças, por exemplo, levam muito a sério tudo o que os pais falam. Estão convencidas de que tudo o que seus pais dizem é verdade, e de que todas as suas previsões haverão de cumprir-se em suas vidas. Quando um pai diz algo a respeito de um filho, está lhe dando um script emocional que ele procurará seguir à risca. Se essa palavra, então, for reforçada por um determinado tipo de tratamento, será difícil para o filho deixar de enxergar-se do jeito que o pai o vê. A bênção emocional, no entanto, não flui apenas dos pais para os filhos. Nossas palavras de valorização e aceitação podem abençoar pais, irmãos, amigos e cônjuges. Abençoar alguém é enxergar nele a dignidade e a beleza criada por Deus. “Bênção”, em grego, é “eulogio”. Conseguimos mais com elogios do que com críticas. Abençoar é falar bem de alguém, enxergar o seu valor e comunicar isso a ele. Aquilo que dizemos possui um grande poder (Pv 18.21). Crítica e rejeição podem prejudicar grandemente a vida dos que nos cercam. Por isso devemos prestar atenção ao que falamos (Tg 3.8-10). Se de alguma forma sinto que as palavras ou atitudes de alguém me marcaram negativamente, não preciso conformar-me com isso. Posso acreditar nas verdades divinas de que sou amado e importante (Jr 31.3). Posso abrir-me a relacionamentos saudáveis através dos quais serei abençoado. Posso agir com os outros de um modo diferente daquele com o qual me trataram, fazendo com que a desvalorização dê lugar à aceitação e alegria. Isso, sim, será uma verdadeira “quebra de maldição”!
Conclusão.
A Igreja é uma fonte de bênçãos infindas. Não desfrutá-las é enveredar-se por caminhos tortuosos e perder o rumo da vida. Como Igreja, devemos atentar para a cegueira dos “sem Cristo”, usando todos os meios possíveis que sejam atraídos as Bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Pertencer a Igreja de Cristo é fazer a diferença, onde que quer que estejamos. Devemos mostra sempre um caminho mais excelente. (I Co 12.31). Sua missão é ser uma Bênção! “Sê tu uma bênção” (Gn 12.2)
Pr. José Elias Croce

A IGREJA E SUA MISSÃO DE SER UMA BÊNÇÃO


Introdução

“A Igreja é uma fonte de riquezas de todos os níveis para os cidadãos da Terra” (Gn 12.1-3).
Antes de descrever essa peculiar missão da Igreja, vamos meditar abreviadamente sobre o que entendemos por “bênção”. O que seria essa bendita descrição? Quando podemos dizer que estamos vivendo sob bênção? Essa expressão é muito popular entre os evangélicos, fazendo parte do vocabulário dos crentes entre suas conversas e diálogos. Não tem sido popular no mundo secular, talvez pelo fato de estarem distante do culto a Deus e a frequência na Igreja. Entretanto, quando se diz: “Bênção”, tal palavra é carregada de um acontecimento divino, sinalizando um milagre ou uma interferência de Deus na nossa vida. Creio piamente que nesse bendito momento você debaixo de uma grande bênção! Deus disse a Abraão: “... E tu serás uma Bênção” (Gn 12.2).

1. O que se entende por Igreja? A Palavra “Igreja”, no grego, “ekklésia”, significa “chamados para fora”. Originalmente, os cidadãos de uma cidade eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de tratarem assuntos comunitários. Da mesma forma, igreja é um grupo de pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial, pertencer a Deus e servi-lo (I Pe2. 9,10; I Ts 1.9).

a) “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).
Essa pergunta de Cristo aos seus discípulos forçou-os a pensar numa definição da missão cristológica, que consequentemente tornar-se-ia o fundamento da Igreja. “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16.16). A partir desta resposta, Jesus fez uma enfática declaração revelando aos seus discípulos a edificação, a jornada e o futuro de sua Igreja na Terra. O Senhor afirmou a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Quando o Mestre enunciou: “edificarei a minha Igreja”, identificou-se como o seu Arquiteto, cuja edificação entender-se-ia até “à consumação dos séculos” (Mt 28.2)

b) A Igreja é uma agência Divina na Terra. Tendo Cristo como fundamento, a Igreja torna-se numa fonte de Bênçãos aqui na Terra. Embora, haja falta de compreensão de uma grande maioria sobre o que representa a Igreja, estes, mesmo em suas ignorâncias são abençoados pela existência da Igreja. Onde se instala uma nova igreja, mesmo na sala de uma residência, nesse local chega uma nova fonte de bênção. Essa tem sido a nossa vocação: “Abençoar todas as famílias da Terra”. A bênção destinada a Abraão continua através da Igreja, tendo como fundamento nosso Amado Cristo. (Gn 12.2,3).

2. A Igreja é uma Instituição que Abençoa a Terra. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. Quando examinamos o pacto de Deus com Abraão, observamos que Suas promessas para abençoar a Abraão não foram com o objetivo de excluir as nações de Sua bênção, mas de prover um canal pelo qual todas as nações seriam abençoadas. Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. A presença do povo de Deus na Terra abençoa as pessoas. Como exemplo podemos relembrar a intercessão de Abraão em Gn 18.23-33. Deus não destruiria uma cidade se nela houvesse apenas dez justos (v.32). A conscientização desta verdade deve dominar a vida de todos os servos do Senhor. Fomos chamados para ser canal de bênçãos.

a) A Bênção da Evangelização. Sempre devemos interrogar a nós mesmos, como poderíamos ser a mais completa bênção para o outro. Poderíamos momentaneamente talvez imaginar outras coisas, entretanto, o Espírito Santo nos inspirará a falar do melhor que pode acontecer a um ser humano, que é o conhecimento das Boas Novas. (Jo 8.32; 14.6; Mt 11.18). O Evangelho de Cristo se constitui no Poder de Deus para salvação de todo aquele que nEle crê (Rm 1.16,17). É somente através da evangelização que o homem conhece o meio eficaz da salvação. Logicamente que para evangelizar, é necessário entender amplamente o significado da palavra salvação e ao mesmo tempo ter experimentado os seus benefícios. Argumentar sobre salvação também é também revelar a condição de condenação que todos os sem Cristo estão envolvidos segundo a Bíblia (II Ts 1.8,9; Ef 2.1-3; Rm 3. 23; 5.12; 6.23; Jo 3.16).

b) A Bênção da Revelação. A presença da Igreja na Terra constitui-se na maior oportunidade do homem, pois Deus lhe deu uma revelação das coisas eternas. Enquanto o mundo secular preocupa-se com as coisas da Terra, isto é, com aquilo que é passageiro, a Igreja ocupa-se naquilo que é eterno (I Jo 2.15). Deus se revelou a Igreja de forma magnífica. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A Igreja possui um ensino libertador com um conteúdo eterno (Jo 8.36). Tudo o que o homem precisa está inserido nos ensinos da Igreja (I Pe 2.9). A revelação do caminho, do céu, das verdades eternas e questões espirituais das mais variadas formas que se possa imaginar, encontram-se nos ensinos e ministrações que Deus deu a Igreja (Mt 13.11). Envolver-se com a Igreja é entrar nos caminhos da sabedoria e ser templo do Espírito Santo (I Co 3.16; Ef. 2.21).

c) A bênção da Intercessão. Cabe à Igreja, enquanto estiver na Terra a missão de interceder por aqueles que estão em eminência (I Tm 2.1-3). “... Para que temos uma vida quieta e sossegada...” (v.2). Alguns ainda não perceberam a grandeza do poder da intercessão em nome de Jesus. Cabe essa colossal tarefa à Igreja e nesse exercício muitas vidas estão sendo abençoadas, pois essa prática abençoa as pessoas. Temos exemplos sobejos nas Sagradas Escrituras do poder da intercessão e seus resultados. Portanto, ser amigo de um crente, visitar uma igreja ou levar alguém a Igreja é conduzi-los a uma fonte de bênçãos.

3. O Impacto da Bênção Ética. Numa sociedade corrompida, a Ética Cristã, gera impacto em todos os sentidos. Quando um cristão se recusa a mentir, se drogar ou cometer adultério revela a sua submissão ao Espírito Santo (Lc 14.33). Esse impacto é causado pelo compromisso e submissão ao Espírito Santo e consequentemente pela renúncia quotidiana. Em algumas situações essa mudança no indivíduo causa gracejos por parte dos incrédulos, pelo fato de interromper imediatamente um costume mundano antigo, causado pela conversão. Nesse caso a Ética Cristã supera as demais, por ser gerada pela presença do Espírito Santo. (Gl 5.25)

a) Nos Novos Convertidos. Um novo convertido demonstra sua nova vida através do efeito do Espírito de Deus no seu interior, como já disse o Apóstolo Paulo “Nova criatura” (II Co 5.17), ou como disse o Senhor Jesus: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O maior impacto da Ética no novo convertido surge através da mudança de comportamento. Essa mudança de vida do crente é percebida pelo incrédulo, mas não entendida conf. (I Co 2.14). A conversão traz consigo atitudes, costumes e comportamentos, completamente diferentes daqueles que eram outrora praticados, a tal ponto de gerar um certo inconformismo das atitudes, e posturas anteriormente praticadas. (Lc 15.21).

b) Na Sociedade. Jesus disse em Mt 5.13,14: “Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo”. Os dois valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e ao mesmo tempo, deve militar contra o mal e a corrupção na sociedade. O sal também representa as ações de ordem e equilíbrio que os cristãos exercem na sociedade. Como luz, o cristão deve ser um exemplo ético para todos os seus observadores. No Antigo Testamento, os rabinos referem-se à luz, atribuíam-na sempre a Deus, à Lei (Torah), a Israe. Assim é que Davi, em II Sm 21.17, aparece como a lâmpada de Israel. Os descendentes de Davi também são tidos como lâmpadas (I Rs 11.36; 15.4; Sl 132.17; Lc 2.32), chamados para brilhar neste mundo corrompido e perverso (Fp 2.15).

c) No Lar. A tragédia dentro do lar começa quando perdemos alguns valores. (Lc 15.9). Infelizmente, já não se conserva a Ética familiar em muitos lares. Muitos valores foram perdidos dentro do lar. Quando há prioridade para a palavra de Deus e a oração, certamente, os valores éticos ressurgem. Para encontrar a moeda perdida a mulher de Lc 15, teve que fazer três coisas fundamentais: “Acender a candeia, varrer a casa e buscar até achá-la”. Quando acontece a transformação na vida do marido ou da esposa, o Espírito Santo gera Ética no coração do converso manifestando-se em atitudes éticas gerando impacto benéfico que glorifica a Deus.

d) Na Conduta Cristã. Normalmente quando alguém se identifica como cristão, o nome já requer atitudes éticas, tendo em vista que o livro texto do cristão é a Bíblia Sagrada. Esse conceito pode nos deixar pensativos no que tange ao que não devemos fazer. Mas o propósito do nosso viver deve ser aquele que Pedro repetiu em sua epístola (I Pe 1.16): “Sede santos, porque Eu sou santo”. O conceito de viver de uma forma santa significa mostrar nas suas boas ações de Cristão, o exemplo encontrado na vida e ensinamentos de Jesus. Nossa obediência aos seus mandamentos, acompanhada de confiança nas suas promessas, nos traz grande satisfação e alegria em vez de frustração. Jesus é nosso exemplo. Somos responsáveis pela nossa voluntária colaboração com Cristo na criação de uma vida afirmativa e abençoada que resulta do nosso amor por Ele. (Jo 14.23; Ef 5.15).

4. A Missão da Bênção Espiritual da Igreja. Uma das coisas mais salutares nesses tempos difíceis é desfrutar das bênçãos espirituais. O Apóstolo Paulo sinaliza e extensão desta bênção quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1. 3). Nessa mesma linha teológica argumenta escrevendo aos Coríntios: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém, é discernido...” (I Co 2.14,15). Nessa lida, a igreja tira as cortinas e revela os mistérios de Deus ocultos nos séculos (Col 1.26). Para que isto ocorra, é necessário ir além do natural, e isso somente é possível através do poder do Espírito Santo, concedido a Igreja (At 1.8,9). O Pastor Marcelo Rodrigues de Aguiar da Igreja Batista em Mata da Praia, E.S argumenta que “a Igreja deve ser uma bênção Profética, Espiritual e Emocional.”

a) A Igreja é Uma Benção Profética. O Senhor concedeu a alguns o privilégio de serem seus porta-vozes, prevendo desdobramentos futuros na vida de homens e nações. Nas Escrituras, essas pessoas são chamadas de profetas. Suas bênçãos (e até suas maldições) eram comunicações das bênçãos e maldições determinadas por Deus.
Ao abençoar Jacó e Esaú, Isaque foi usado por Deus para descrever com exatidão o que aconteceria a eles e seus descendentes (Gn 27.27-29, 38-40, 25.21-23).
Ao abençoar seus filhos e netos, Jacó profetizou sobre o futuro de cada uma das tribos de Israel (Gn 48.15-20; 49.1-28). Josué lançou uma maldição sobre aquele que reconstruísse a cidade de Jericó, e ela se cumpriu vários séculos mais tarde (Js 6.26; I Re 16.34). Observe que a maldição foi pronunciada por Josué, mas procedeu do Senhor.

O profeta Eliseu amaldiçoou alguns jovens que zombavam dele, e foram mortos por duas ursas (II Re 2.23,24). Jesus amaldiçoou uma figueira, e ela secou-se (Mc 11.11-14, 20, 21). O sumo-sacerdote Caifás, mesmo sem saber, foi usado por Deus para profetizar que Jesus morreria em lugar dos salvos (Jo 11.49-52). O que é impressionante na bênção profética é o fato de ela se cumprir fielmente. No entanto, precisamos saber que aquilo que se cumpre não acontece simplesmente porque as pessoas falaram, mas porque Deus falou através delas. O poder não está na palavra do homem, mas na palavra de Deus. A bênção e a maldição são determinadas por Deus, como resultado do comportamento do homem. Sendo assim, se uma pessoa amaldiçoa sem que isso tenha sido ordenado por Deus, tal maldição não se cumpre (II Sm 16.5-13; 19.15-23). Da mesma forma, não existe bênção profética se a iniciativa não tiver partido do próprio Deus (I Re 22.6,11, 12,34-37). A palavra humana não tem poder para criar nada! Só Deus tem poder para criar através da palavra. Na bênção profética a iniciativa é de Deus e não do homem. Não podemos criar nada através de palavras, nem forçar Deus a fazer nada através de palavras. O que conta é a bênção de Deus (Sl 109.28).

Nos nossos dias existem indivíduos que vivem com medo de ser amaldiçoados por palavras e ações alheias. Na verdade, há igrejas que ensinam isso. Elas conduzem seus seguidores a um estado de paranóia religiosa, insegurança e fanatismo. Mas os exemplos acima mostram como esse temor é infundado. Não é da vontade de Deus que os seus servos respirem uma atmosfera de medo e preocupação (Is 32.18).

b) A Bênção Espiritual. O aspecto espiritual da bênção talvez seja aquele ao qual estejamos mais acostumados. Toda bênção pronunciada é, de certa forma, uma oração. É uma súplica a Deus, porque Ele é a fonte de todas as bênçãos (Tg 1.17). Quando abençoamos alguém, estamos dirigindo a nossa fé ao Senhor, e rogando-lhe que seja favorável a essa pessoa. É também importante que aquele que abençoa seja alguém temente a Deus (Jo 9.31). Abraão pediu que Deus abençoasse seu filho Ismael, e foi atendido, ainda que a concepção daquele menino tivesse sido contrária à orientação divina (Gn 17.18-20). Jabez fez uma oração pedindo a Deus que o abençoasse, e também foi atendido (I Cr 4.9,10). Davi intercedeu por seu filho Salomão e Deus abençoou-o, poupando-o mesmo quando ele incorreu numa série de pecados (I Re 11.11-13). Timóteo, companheiro de Paulo nas viagens missionárias, foi abençoado pelas preces de sua mãe e sua avó (II Tm 1.5). Nenhum pai deveria negligenciar a tarefa de abençoar seus filhos, seja dizendo isso em voz alta, seja orando por eles a Deus. De certa forma, pai e mãe são os sacerdotes do lar. Podemos também abençoar nossos pais, irmãos, amigos, a nação e o governo intercedendo em seu favor. O Senhor nos deu o privilégio de abençoar. Seus ouvidos estão continuamente abertos às nossas preces.

Ao retornar vitorioso da batalha, Abraão foi abençoado por Melquisedeque (Gn 14.18-20). Chegando ao Egito, Jacó abençoou Faraó (Gn 47.7). No deserto, o sumo-sacerdote Arão abençoou o povo escolhido (Nm 6.22-27). Em Canaã, Josué abençoou as tribos de Israel (Js 22.6). Mais tarde, Davi abençoou seus súditos e sua casa em nome do Senhor (II Sm 6.18,20). Quando o templo de Jerusalém foi inaugurado, Salomão abençoou o povo (I Re 8.54,55). Chegando ao Novo Testamento, encontramos Jesus abençoando o pão antes de multiplicá-lo (Mt 14.19) e de instituir a Ceia (Mt 26.26). Ele também abençoou as crianças (Mc 10.16) e os discípulos (Lc 24.50). O apóstolo Paulo tinha o costume de iniciar e terminar suas cartas pronunciando bênçãos sobre os leitores (II Co 13.13). A bênção espiritual é, portanto, uma oração pedindo coisas boas para alguém. Ao contrário da bênção profética, a iniciativa aqui não é de Deus, mas do homem. E a maldição espiritual? Seria também uma oração, só que pedindo coisas ruins. No entanto, a Bíblia nos exorta a não fazermos esse tipo de oração (Rm 12.14; Jd 9). O crente deve ser apenas instrumento de bênção, jamais de maldição.

c) A Bênção Emocional. A palavra humana não tem poder para criar realidades. Ela, no entanto, gera situações. Tais situações podem influenciar as pessoas para uma ou outra direção. Este é o aspecto emocional da bênção. Quando damos a uma pessoa amor e valorização incondicional, pronunciando palavras que ajudem a visualizar um futuro de esperança e a entrar em contato com o seu potencial, estamos gerando uma situação propícia para que boas coisas aconteçam em sua vida. Se, pelo contrário, a rejeitamos ou de alguma forma damos a entender que o nosso amor está condicionado ao cumprimento de exigências, ou dizemos palavras que a marquem negativamente, ela passa a viver debaixo de uma “maldição” psicológica. As crianças, por exemplo, levam muito a sério tudo o que os pais falam. Estão convencidas de que tudo o que seus pais dizem é verdade, e de que todas as suas previsões haverão de cumprir-se em suas vidas. Quando um pai diz algo a respeito de um filho, está lhe dando um script emocional que ele procurará seguir à risca. Se essa palavra, então, for reforçada por um determinado tipo de tratamento, será difícil para o filho deixar de enxergar-se do jeito que o pai o vê. A bênção emocional, no entanto, não flui apenas dos pais para os filhos. Nossas palavras de valorização e aceitação podem abençoar pais, irmãos, amigos e cônjuges. Abençoar alguém é enxergar nele a dignidade e a beleza criada por Deus. “Bênção”, em grego, é “eulogio”. Conseguimos mais com elogios do que com críticas. Abençoar é falar bem de alguém, enxergar o seu valor e comunicar isso a ele. Aquilo que dizemos possui um grande poder (Pv 18.21). Crítica e rejeição podem prejudicar grandemente a vida dos que nos cercam. Por isso devemos prestar atenção ao que falamos (Tg 3.8-10). Se de alguma forma sinto que as palavras ou atitudes de alguém me marcaram negativamente, não preciso conformar-me com isso. Posso acreditar nas verdades divinas de que sou amado e importante (Jr 31.3). Posso abrir-me a relacionamentos saudáveis através dos quais serei abençoado. Posso agir com os outros de um modo diferente daquele com o qual me trataram, fazendo com que a desvalorização dê lugar à aceitação e alegria. Isso, sim, será uma verdadeira “quebra de maldição”!

Conclusão. A Igreja é uma fonte de bênçãos infindas. Não desfrutá-las é enveredar-se por caminhos tortuosos e perder o rumo da vida. Como Igreja, devemos atentar para a cegueira dos “sem Cristo”, usando todos os meios possíveis que sejam atraídos as Bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Pertencer a Igreja de Cristo é fazer a diferença, onde que quer que estejamos. Devemos mostra sempre um caminho mais excelente. (I Co 12.31). Sua missão é ser uma Bênção! “Sê tu uma bênção” (Gn 12.2)

Pr. José Elias Croce

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A SANTIFICAÇÃO DE NOSSA LINGUAGEM.


Um dos grandes problemas que o homem tem enfrentado é o uso inadequado do falar. A mentira é tão antiga quanto a história da humanidade. O engano tem acompanhado o homem desde que pecou e a murmuração é sua companheira de todas as horas. A fofoca, a maledicência, o falso testemunho aparecem constantes nos relacionamentos humanos, gerando uma comunicação defeituosa. Tiago diz que “... se alguém não tropeça no falar é perfeito varão...” (Tg 3.2). Grande parte dos problemas de nossa comunidade está relacionado de alguma forma, ao uso indisciplinado da língua, portanto, é fundamental que tenhamos uma linguagem sã e irrepreensível, isto é, uma linguagem santa em nosso convívio. Vejamos alguns pecados que podem afetar a nossa linguagem:

1. O Pecado da Murmuração.

Como toda enfermidade provocada por vírus carece de um tratamento sério, assim também é a murmuração. O germe da murmuração é uma maldição dos séculos. Um impedimento para a operação de Deus. Reflete ataques de Satanás ao crente, em diversas áreas. Deus condena de modo incisivo a murmuração: (Lm 3.39; Jo 6.43; I Co 10.10; Pv 2.14).

a) Incredulidade. A perda da fé é o ambiente mais propício para o surgimento do pecado da murmuração. A incredulidade é uma perversa provisão de Satanás para que as pessoas nunca se sintam aptas a louvar a Deus. Jesus mesmo declarou que a incredulidade foi impedimento a realização de alguns milagres (Mt 13.58; Mt 17.20; Mc 16.14). A incredulidade abre caminho para a murmuração, que nos afasta de Deus. Somos exortados fortemente a abandonarmos a incredulidade (Hb 2.2,3; 4.11).

b) Incapacidade de Recordar. O murmurador sofre de uma amnésia crônica. Ele é incapaz de recordar o quanto já tem alcançado de Deus. Recordar é lembrar primeiramente das exigências do Criador: Lembra-te do teu Criador (Ec 12.1); Lembra-te de Jesus Cristo (II Tm 2.8); Lembrai-vos da mulher de Ló (Lc 17.32); Lembrai-vos das coisas passadas (Is 46.9); Lembrai-vos que éreis gentios (Ef 2.11).

c) Incapacidade de Contemplar os Atos Bondosos de Deus. (Sl 126.3,4). “Grandes coisas fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres”. O murmurador, infelizmente vê as coisas que estão se definhando a sua volta, perecendo e apodrecendo e começa a murmurar. Murmura por indelicadeza e falta de senso ético. Assim, ele agride aqueles com os quais convive. Murmura por intolerância ou falta de paciência para aguardar a resposta de Deus a sua orações (Lc 21.19; Sl 40.1; Tg 5.11; Hb 10.36; Tg 1.3).

2. A Influência da Língua.

Conta-se que o Rabino Simeão, filho de Gamaliel disse a seu servo Tobias: “Vai ao mercado e me traga algum bom alimento”. O servo foi e trouxe línguas. Noutra ocasião, disse ao mesmo servo: “Vai ao mercado e me traga algum alimento ruim”. O servo foi e lhe trouxe línguas. Então o mestre lhe perguntou: “Por qual razão, quando te ordenei que me trouxesse bom ou mau alimento, me trouxeste língua?” O servo retrucou: “O homem faz bem ou mal com a sua língua; se fizer o bem, nada há de melhor; se fizer o mal, nada há de pior”. Nossa linguagem deve ter a marca da santificação para o Senhor para que exerçamos a influência de sal da Terra e Lua do Mundo (Mt 5.13-16).

a) Influências da Fala. Segundo a Palavra de Deus, a língua é como o leme de um navio (Tg 3.4), tem poder para governar. É como uma pequena fagulha, tem poder de destruição. (Tg 3.5). É como um membro venenoso, tem poder de contaminação (Tg 3.4). É como um chicote, tem poder de tortura emocional (Jó 5.21). Tem o poder de uma pena de escrever, marca o coração (Sl 45.1; 54.7). É como uma navalha afiada, tem poder para cortar relações. É como uma espada afiada, uma arma de guerra à curta distância (Sl 57,4). É como uma flecha, uma arma de guerra à longa distância (Jr 9.8).

b) Manifestações de uma Língua Enferma. O ser humano peca profundamente quando propositadamente fere a outros, a quem Deus deseja que seja feito o bem. Mas algumas pessoas agem desta maneira porque estão com suas línguas doentes e por isso expressam o que está ocorrendo em suas próprias vidas: Palavras amargas saem de suas bocas (Ef 4.29,30); e o conteúdo de suas falas demonstra o grande mal que está dentro de si. Pessoas assim necessitam urgentemente de uma cura espiritual, pois são aqueles descontentes crônicos, que somente Jesus pode curar.

c) Tipos de Pessoas com a Língua Enferma. Os escarnecedores (Pv 13.1; Jd 17-19) são aqueles que além de individualistas, são também cegos. Os difamadores (Pv 16.28; Sl 101.5; Sl 15.1-3) são aqueles que possuem uma doença crônica aliada à inveja. Os cochichadores (Sl 41.7), o mesmo que murmurador; aquele que gosta de falar coisas más em voz baixa, o mexeriqueiro e bisbilhoteiro. Existe ainda a falsa testemunha, o intrometido (I Pe 4.15), o futriqueiro. Pessoas impertinentes, que gostam de irritar com suas línguas ferinas. Esses, precisam com urgência exercer a santificação de suas línguas.

3. A Tríplice Ilustração do Poder das Palavras.

“A língua combina com a ferocidade do tigre a zombaria do macaco e com a sutileza e o veneno da serpente”. Pode ser entravada e pode ser disciplinada. Pode ser ensinada a fazer coisas boas e úteis, mas nunca pode ser domada; nela nunca se pode confiar. Se não usar de cuidado e vigilância, sua natureza maligna irromperá novamente e os resultados serão calamitosos.

a) A Fonte que Jorra Dois Tipos de Água (Tg 3.11). Não deve haver duplicidade de palavras na vida de um servo de Deus. Cabe aqui fazer uma pergunta: Você controla a sua língua? Dê uma nota de 0 a 10 a si mesmo quanto ao controle da língua e faça uma análise pessoal. Entretanto, a língua do cristão deve fundamentalmente produzir bênção e não maldição. Pode uma mesma fonte produzir dois tipos de águas? Doce e amarga? Cada fonte produz o seu próprio tipo de água. Um é o falar do ímpio e outro é o falar do cristão. Nossas palavras devem ser temperadas com sal (Cl 4.6).

b) A árvore que produz frutos segundo sua espécie. “... Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce...” (Tg 3.12). O autor sagrado toma uma ilustração da natureza, que mostra também a necessidade de coerência. Cada árvore frutífera produz seu tipo específico de fruto e certamente não pode produzir, ora uma espécie, ora outra. Isto é impossível. E apesar de que isso seria uma deleitável curiosidade, qualquer pessoa que observasse o fenômeno, pensaria que é apenas uma perversão, algo em que a natureza errara profundamente. E isso se daria especialmente se a mesma árvore produzisse, alternadamente fruto comestível e fruto venenoso. Se esse fosse o caso, a árvore seria considerada uma afronta ao processo da natureza, e não apenas uma curiosidade. O homem que produz fruto bom e fruto venenoso, também é uma afronta e uma perversidade da natureza.

c) A fonte que Produz um só Tipo de Água. O Mar Morto, na Palestina, fica apenas acerca de vinte e cinco quilômetros de Jerusalém. Naquela área há muitos poços de sal, pantanais e fontes que contém água salgada em várias percentagens. Há grande abundância de riachos salgados e fontes salobras naquela região, além de fontes termais impregnadas de enxofre, que abundam no vale vulcânico do rio Jordão. Portanto, se os leitores originais da epístola eram naturais da Palestina, haveriam de entender perfeitamente a linguagem simbólica usada. Haveriam de saber que existem fontes de água potável e também de água salobra, mas que é impossível que de um mesmo manancial jorrasse água boa e água salobra. Os mananciais de água potável trazem vida, os demais mananciais nada produzem, senão odores asfixiantes. Somente o homem pode cultivar a prodigiosa monstruosidade de produzir o que é bom e hígido, para em seguida produzir influências e poderes malignos mortíferos. Pelo menos no crente, que é alguém que está sendo transformado para compartilhar da imagem de Cristo, isso não deveria ocorrer. O NT dá a entender que isso, realmente, não sucederá jamais (Tg 3.12).

4. O Dever de não Tropeçar nas Palavras (Tg 3.2).

A língua é um membro bem pequeno do corpo. Mas tanto é difícil ser controlado como é potencialmente traiçoeiro. Um homem pois, pode ter pleno controle sobre todos os demais aspectos de sua vida e, no entanto, ser apanhado em pecados da língua, pelo menos em certas ocasiões.

a) Tropeçamos em Muitas Coisas. Tropeçar, no grego é: “Ptaío”. Literalmente, “tropeçar”, mas que em sentido moral, significa “errar”, “equivocar-se”, “pecar”. Todos cometem equívocos dos tipos mais diversos, talvez o erro mais comum seja o da língua. É fácil dizer palavras duras e apressadas, proferir ofensas de alguma espécie, sem termos consciência ou não de que ofendemos ao próximo. Portanto, se houver algum cristão que não ofende com a sua língua e nem comete erro verbal, então terá de ser, para todos os efeitos práticos, um homem perfeito, porquanto não ofende com palavras. A declaração de que todos “tropeçamos” é uma admissão do pecado universal, pois estão em foco erros morais (Rm 3.9-18; I Jo 1.8).

b) Não Tropeçando e Sendo Perfeito Varão. Alguém moralmente perfeito, não sujeito aos pecados e erros de outros homens, porquanto demonstra, em sua linguagem, que não tem defeito. Se tiver algum defeito, certamente o mostraria com suas palavras, em algum ponto, ao conversar com outros. Naturalmente, esse “perfeito varão” (impecável) é um caso hipotético. Tiago não afirma que realmente existe algum homem assim. O adjetivo “... perfeito...”, é aqui usado para indicar a “perfeição moral”. Até mesmo um homem moralmente maduro, certamente ofende com palavras, ocasionalmente. Veja a recomendação para a perfeição: (Mt 5.48; Cl 1.28; 4.6). A perfeição, no sentido neotestamentário, consiste da participação nas virtudes divinas, como o amor, a justiça e a bondade. (Gl 5.22,23). A perfeição absoluta, negativa e positivamente considerada, é o grande alvo moral de todos os crentes e isso eles poderão obter mediante a transformação segundo a imagem moral de Cristo, mediante o poder do Espírito Santo (II Co 3.18; Ef 4.12; Hb 7.11,19).

c) Quem não Tropeça em Palavras tem a Capacidade de Refrear seu Corpo. O pecado é retratado como algo que se utiliza do corpo. O autor sagrado simplesmente preferiu fazer uma declaração óbvia: O corpo é instrumento fácil do pecado. O sexto capítulo da epístola aos Romanos desenvolve amplamente esse tema. O corpo pode ser um escravo do pecado, mas também pode ser um escravo da justiça. O homem perfeito, que controla a sua língua, o mais incontrolável de todos os membros do corpo, também será capaz de controlar o corpo inteiro, para que nenhuma instância, venha a tornar-se veículo de ações pecaminosas. O corpo é um instrumento pelo qual o homem se expressa nesta Terra. Quando peca, quase sempre usa seu corpo de alguma maneira. O homem perfeito exerce controle sobre o seu corpo, como um homem controla um cavalo com arreios.

Conclusão. Como conclusão vou relatar a história das três peneiras: Um rapaz procurou Sócrates e lhe disse que precisava contar algo sobre alguém. Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me falar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras?
- Sim, a primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha apenas ouvido falar, a coisa deve morrer por aí mesmo. Suponhamos então que é verdade. Deve então passar pela segunda peneira, a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e coisa boa, deverá ainda passar pela terceira peneira, a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta? Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e seu irmão iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz".

Que o Senhor nos ajude a santificar a nossa linguagem em todo o tempo.

PR. CROCE...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PERSPECTIVAS PARA O JOVEM TEÓLOGO NA SOCIEDADE


Meu objetivo nesta reflexão é tentar abrir as cortinas e focalizar as áreas em que um jovem teólogo pode atuar nessa sociedade obscura em que vivemos. Há um mundo em nossa volta sem esperança e sem projeção nenhuma para a vida eterna ou até mesmo para a vida. Essas pessoas esperam por nós, pois estão cegas e não podem ver o que vemos ouvir o que ouvimos. Entretanto poderão ouvir através de pregadores da palavra de Deus, pois temos o antídoto para este mal que assola a sociedade.

Acredito que quem procura um seminário, não o faz por acaso. Certamente são pessoas que possuem um chamado especial. Estão sendo conduzidos pelo Espírito Santo ao laboratório de Cristo e sendo moldados para um plano específico. É provável que alguns não saibam exatamente porque procuraram um seminário, isto é, emitir detalhes racionais; mas o Senhor sabe muito bem, pois Ele mesmo o conduziu ou está lhe conduzindo a um aprimoramento de sua Palavra. Há um mundo sedento da Palavra! Sei que você talvez esteja imaginando que esta reflexão seria para aqueles que já estão no seminário, todavia, creio que Deus estará convocando muitos jovens para o seu laboratório espiritual, preparando-os e enviando-os a várias partes do mundo nestes últimos dias. Certamente você será um deles.

Logicamente, é necessário que haja algumas sinalizações para que se evidencie essa inclinação. Dentre elas, consideramos que a chamada ministerial é o maior sinal e a mola propulsora na vida de um jovem seminarista. A expressão usada pelo Apóstolo Paulo em Rm 1.1 como “Kletós”, no grego traduzido como “chamado, vocacionado etc”.

Natureza da chamada. A responsabilidade da chamada ministerial é do Senhor. “E Ele mesmo concedeu uma para...” (Ef 4.11). Não se trata de uma incumbência dada por convenção, concilio ou outro órgão. Estes apenas confirmam, reconhecendo a chamada depois de um exame. (2 Tm 2.15).

Valorização da chamada. Essa é uma questão importantíssima para o teólogo, pelo fato de existir um campo vasto na área teológica. É fundamental que haja essa valorização para o desempenho ministerial. A própria palavra “Ministério” é tradução de uma palavra que também quer dizer “serviço, trabalho”. Portanto, é necessário saber em que ministério atuar, fato que se relaciona com o conhecimento do dom que Deus nos deu. Infelizmente, nossa juventude tem sofrido por falta de uma educação direcionada para vocação na área secular, entretanto, na área espiritual entendemos que seja diferente. Por outro lado, é inadmissível que um vocacionado para o direito se envolva com medicina, assim como um vocacionado para o ministério se envolva com outra tarefa que lhe sufoque a vocação ou lhe frustre. Sendo assim, é imprescindível que haja conhecimento e inclinação para cada vocação.

Campo de trabalho. Antigamente era muito difícil para os pentecostais conseguirem apoio para o estudo teológico. Havia uma pregação contrária por parte de uma grande maioria de líderes. Alguns chegavam a cometer o absurdo de dizer que Teologia não era coisa de Deus, embebidos pela ignorância que lhes cercavam. Pela graça de Deus e a insistência dos Institutos Teológicos através de homens que receberam do Senhor a tarefa de incentivar o saber teológico, hoje temos um reconhecimento através das principais Convenções da Assembléia de Deus e outras Denominações Pentecostais. As duas convenções oficiais das Assembléias de Deus, não consagram mais Ministros sem o devido curso teológico em entidades reconhecidas pelas mesmas. Isso foi um grande avanço.

Com esse reconhecimento expandiu-se o campo para os teólogos, principalmente para aqueles que atuam na área do ensino. Estamos vivendo em algumas instituições pentecostais um verdadeiro despertamento teológico. Somente recomendamos critérios para ingresso nessas instituições pelo fato de existirem muitos “Institutos Teológicos sem estrutura”, sem nenhum reconhecimento das Convenções e outros órgãos que dão credibilidade a instituição.

Portas Teológicas:
Ensino. Com especializações em áreas teológicas. Como já enfocamos, as exigências das convenções pentecostais para o ato consagratório abre campo de trabalho para os vacacionados na área do ensino.

Capelania Hospitalar/Exército etc. Esse é outro campo vasto para novos teólogos, com chamada específica nesta área.

Ministério Infantil. Com relação ao ministério infantil, estamos ainda engatinhando. Há muito que se fazer nessa área entre as Igrejas e os ministérios das mesmas. Pode se criar um ministério itinerante para ministrações específicas despertando talentos através de simpósios direcionados.

Ensino Religioso em Escolas Públicas. Esse é um departamento que os católicos querem dominar, pelo fato de ser uma estratégia antiga da Igreja. No entanto, como evangélicos, temos quem lutar para que nosso espaço seja garantido. Isso já está mudando, pois existem “grandes espaços” em muitas escolas públicas para tal atuação destes vocacionados.

Missões. Apesar de se falar muito em missões, temos poucos missionários de fato. As Igrejas estão sonolentas em ralação a Missões. Isso se comprova através do surgimento das Agências Missionárias. Se cada Igreja se transformasse em uma agencia de missões, certamente teríamos mais missionários nos campos.

Ministério Pastoral. De todos os ofícios do ministério cristão o pastorado é o mais conhecido em nossos dias. O título é dado até mesmo aos ministros em diferentes funções ministeriais. A função é tão honrosa, que no Antigo Testamento, freqüentemente atribui a Deus o título de Pastor de Israel. (Jr 23.4; Sl 23.1; 80.1). O verbo técnico da terminologia pastoral em hebraico é “Ra׳ah” “apascentar. Eu entendo que muito alunos procuram o seminário com seu ministério definido, principalmente com rela/cão ao pastorado. Dependendo da denominação o novo Pastor poderá assumir uma grande igreja, outros terão que formar suas próprias congregações.

Literatura. Este é um ministério muito carente. Temos poucos escritores nacionais. O ministério da literatura pode se expandir para o mundo. O importante é ter convicção da chamada para tal tarefa. Precisamos deixar nascer esse escritor que está dentro de nós.

Conferências/ Itinerância. Lamentavelmente, temos muitos evangelistas e ao mesmo tempo, grande carência dos mesmos. Devido a incorreta concepção do ministério Evangelístico, vemos as vezes, um Evangelista ocupado com uma pequena Igreja, completamente fora de sua função, ou mesmo sem qualquer evidência deste dom ministerial. É Evangelista simplesmente porque alguém determinou ou lhe deram este nome. Isto nada tem a ver com o verdadeiro ministério Evangelístico. Precisamos regatar o verdadeiro conceito de Evangelista. Há uma grande porta aberta nesta área.

Mestres. Mestre é a última categoria de ministros arrolados em Ef 4.11. Sua finalidade é valiosíssima par Igreja de Deus. Os Mestres são fundamentais para preservação da doutrina.

Formação Teológica.
Clinica Pastoral.
Casas de Recuperações etc.

Essas portas são vastíssimas para o jovem teólogo. Falando francamente, não vejo dificuldades para aqueles que não conseguem enxergar nada mais a não ser o ministério. Aquele que nos chamou e nos enviou estará sempre nos encorajando. Ele espera muito de nós, pois nos confiou uma grande tarefa. A Ele toda glória!

Shalom...
Pr. Croce

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A ESTRADA MAIS LONGA (EX 13.17-18)

Havia dois caminhos para a terra prometida:

1. O caminho pela terra dos filisteus.
2. O caminho através do deserto.

Somos informados que a rota do mediterrâneo podia ser percorrida sob condições normais entre oito a dez dias.

A estrada levava através de uma área povoada e era fácil, rápida e segura. Mas não foi o caminho escolhido por Deus.
A Filístia ficava no meio do caminho. Deus, portanto os levou para o sudeste, na direção do mar vermelho.
Ali não havia estradas, pontes e nenhum sinal visível que os orientasse. Nenhum recurso visível que suprissem suas necessidades. Deus faz também assim conosco porque o caminho do cristão é por fé e não por vista.

1. A PROVIDÊNCIA DO CAMINHO MAIS LONGO: Deus os levava. As providências eram tomadas por Deus. Não há acidentes para aqueles que andam na vontade de Deus. Deus mesmo escolhera o caminho para o seu povo. Esse caminho será sem acidentes. “Tendo Faraó deixado ir o povo... Deus os levou Israel. Deixaram de ser servos do Egito para ter outro Senhor. Foram libertos de uma escravidão para entrar em outra: a escravidão do amor e da graça” (Ex 13.7; 3.17).
“Os Judeus não estavam preparados para enfrentar os Filisteus” (1 Co 10.13). Em previsão amorosa, Deus escolheu o caminho mais longo para seu povo. (Sl 103.13,14).

1.1 Alguns princípios da Estrada mais longa:

a) Vamos analisar primeiro o outro lado. O princípio do caminho mais curto: Esse é o caminho do mundo, do julgamento, da aceitação humana.
b) Esse caminho que Deus rejeitou é conhecido no mundo como atalho: caminhos atrativos e humanos e das inclinações. Os homens gostam desse caminho para fugir da monotonia. Muitos entram pelo caminho da luxúria etc. Esse é o caminho da mentira, do engano, do suborno, da fuga, da mudança desnecessária etc.
c) Exemplos: Esaú escolheu o caminho mais curto quando vendeu sua primogenitura por um prato de comida. Hipotecou o futuro em troca de lucros imediatos; (Mt 7.13,14; Lc 13.24). O caminho é estreito. Demas; Saul; Judas; Simão o mágico; Geazi etc., são exemplos daqueles que procuram atalhos.

1.2 A estrada mais longa inverte a ordem:

É uma caminhada pela fé, e não pela vista.
Caracteriza-se por uma disposição de esperar, confiar em Deus. Devemos ter certeza de que o caminho do Senhor é o melhor. Cada filho de Deus deve entender que não há sucesso sem sacrifício, e nenhuma recompensa sem trabalho.
É preciso que haja obediência, antes que as bênçãos sejam concedidas. Na obediência está também a renúncia.
A providência da estrada longa é levá-los a uma fé perfeita em Deus. Educá-los. Essa é a pedagogia de Deus.

2. O PROPÓSITO DA ESTRADA MAIS LONGA:
O caminho do deserto foi o da disciplina. Autodisciplina. Palavra muito difícil para muitos...
Primeiro Israel precisou conhecer a Deus. Deus os levou para onde o povo ficava completamente dependente dos recursos divinos. Os homens raramente aceitam a Deus no tempo da prosperidade.
Quanto mais negra à noite, mais brilhantes são as estrelas (Is 55.8-9). Os pensamentos de Deus são diferentes dos nossos! Deus levou a nação sozinha através da solidão a lugares estéreis, onde o povo ficava totalmente dependente dos recursos divinos. ”Geralmente o caminho mais longo é o caminho mais curto de volta para o lar”.

2.1 Propósitos:
a) Demonstrar seu poder (Milagres e maravilhas, no Egito, etc).
b) Receber a Lei na solidão do deserto para que pudessem se organizar em comunidade antes de entrar em Canaã.
c) Para que pudesse aprender a humildade.
d) Isso ficou bem exemplificado nas quatro grandes entregas de Abraão: 1) Ele não foi chamado logo no começo para sacrificar o seu filho. Este foi o teste final: Primeiro foi chamado para entregar a sua vida. Separar-se do povo de sua terra. 2) Depois teve que entregar seus direitos permitindo que seu sobrinho Ló, fizesse a melhor escolha. 3) Mais tarde, ele se submeteu à oportunidade de tornar-se rico, quando rejeitou a riqueza oferecida pelo rei de Sodoma. 4) A prova final veio quando foi chamado para oferecer o seu filho Isaque como sacrifício.
O propósito da estrada mais longa ainda se discerne melhor quando acompanhamos a história de Israel através do deserto. Mais tarde o povo enfrentou muitas batalhas com os filisteus, contudo, no começo, Deus não permitiu.

3. Duas lições importantes:

Conhecer a si mesmo e conhecer a Deus. (Dt 8.2,3).

Deus os levou para o deserto para que Ele pudesse encontrá-los ali; falar com eles; revelar-se a eles, ensinando-lhes a se conhecerem e a conhecê-lo.
Israel jamais conheceria Deus numa estrada feita por Homens. Israel destinava-se a ser uma nação sacerdotal. Você também jamais conhecerá a Deus através de métodos humanos... Quando os filhos de Israel deixaram o Egito, eram indisciplinados; portanto, tinham que ser treinados na escola do deserto.

4. O Privilégio da Estrada mais longa:
4. 1. Depender de Deus. Você já aprendeu a depender de Deus? Quais são suas experiências? Em nossa caminhada com Ele, há passagens luminosas, além das sombras, alegrias além das tristezas, raios de sol além das chuvas ou tempestades...

Freqüentemente Deus nos conduz a vales escuros para nos ensinar a bênção da comunhão divina. (Sl 23.4). “Vale da sombra da morte”. O deserto e o vale são experiências que nos preparam aqui para a estrada que jaz a nossa frente.

5. As pessoas da Estrada mais longa:

5.1. José e sua trajetória;
5.2. Apóstolo Paulo: Queria pregar aos Romanos, contudo foi para lá preso; mas na prisão saíram lindas epístolas.
5.3. Cristo: também passou pelo deserto.
5.4. Daniel e seus companheiros;
5.5. João Bunyan; David Livingston;
5.6. Gunnar Vingren e Daniel Berg, etc.

Constantemente há ziguezagues em nossos caminhos. Deus não nos prometeu levar-nos ao céu pelo caminho mais curto “Não os peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal”. (Jo 17.15). Temos a Escola da experiência. Aprender a não confiar na carne, para representar Deus. Vamos nos conformar e aceitar a estrada mais longa sem fazer atalhos.

SHALOM...
PR. CROCE.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A necessidade de progredir (I Ts 4.1-12)

“PARA QUE CONTINUEIS A PROGREDIR CADA VEZ MAIS...”(1 Tessalonicenses 4.1b)

A palavra progredir faz parte de nossos projetos e de toda nossa sociedade. Todos pensam em progredir em alguma coisa, e na verdade ninguém fica sem progredir, se bem que algumas progressões são regressivas, outras más.

É claro que nosso objetivo é falar sobre a nossa progressão espiritual. E nesse sentido para uma boa introdução basta olharmos a nossa progressividade em relação ao passado. Logo, constataremos que em algumas coisas evoluímos e outras estacionamos ou regredimos.

Infelizmente, no campo espiritual parece que temos a tendência de “regredir”. Pois muitos começam bem e em tom progressivo, mas de repente, entram no processo de regressão com tanta rapidez, que até ultrapassam o marco inicial de forma que se encontram piores do que quando começaram.

Ao olharmos para nós mesmos vamos vasculhar nossos progressos ou estabelecer metas progressivas.

I – PROGREDIR: CAMINHAR PARA ADIANTE, AVANÇAR; IR AUMENTANDO.

No grego: PEISSEVO = abundar; transbordar; ser mais que suficiente.
O apóstolo Paulo tece alguns elogios, mas também exorta a igreja a pureza e ao amor. Embora fossem verdadeiramente convertidos, havia entre eles alguns remanescentes da antiga vida pagã. Não podemos esquecer que a cidade era totalmente corrompida e imoral, por isso Paulo almeja o crescimento da Igreja.

1. Progredir nos ensinamentos recebidos (v.1).

“Como recebestes de nós.. maneira de andar...”.

1.1 O dever da lembrança do que foi ensinado.
1.2 Obedecer. Repetir os ensinamentos (v.2).

2. Progredir cada vez mais na santificação (v. 3-8).

2.1 Descrição da santificação (-8).
v.6 – PLEONOKTEO: Enganar: ultrapassar o certo; transgredir, exceder.

3. Progredir cada vez mais em caridade (amor) Filadélfia (v.9).

Está em todo amor que um ser humano sente pelo outro, o cuidado que tem por outrem tal como cuida de si mesmo; o amor que deve haver entre a família divina.
Obs.: Há várias modalidades de amor: amor de Deus pelos homens, por Deus; por Cristo; de Cristo para com os homens e dos homens por outros homens. Podemos mostrar que amamos a Deus quando amarmos uns aos outros.

3.1 Há uma grande necessidade de progredirmos espiritualmente nesse exercício espiritual.
3.2 Expressões ou atitudes inadequadas ao amor ao próximo: A maior delas: A falsidade, ou a difamação etc.

4. Progredir cada vez mais no nosso trabalho (v.11).

4.1
Nos negócios.
4.2 No trabalho.

5. Progredir cada vez mais na honestidade (v.12).

5.1 Resultados: Bom testemunho para os que estão de fora.

Conclusão

Verifiquemo-nos se estamos progredindo nos ensinos recebidos. Na santificação, amor; no trabalho; honestidade: testemunho. Deus exige isso de nós. Não se esqueça, você nasceu para progredir, crescer para glória de Deus…
Shalom….
Pr Croce.