sábado, 23 de outubro de 2010

DEZ TIPOS DE RENÚNCIAS QUE UM CRISTÃO DEVE FAZER...

RENÚNCIA... Breve Reflexão: (LC 9.23; 14.33; MT 16.24).

... Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, RENUNCIE-SE a sim mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24) ARC.

A princípio, é de bom alvitre trazer a tona um sucinto significado etimológico desta palavra basilar para os cristãos: No Evangelho de Lucas temos o termo grego: “APOTÁSSOMAI”, com o sentido de “despedir-se, renunciar, abandonar” (Lc 14.33). No Evangelho de Mateus, a expressão é: “ANARNESÁSTHO”, imp., aor., de “APARNÉOMAI”, com a tradução de: “Negar-se a si mesmo como um ato totalmente altruísta, abrir mão de sua personalidade”. Temos ainda outra expressão que traz o meso sentido em Lc 9.23: “ARNESÁSTHO”: “Dizer não, negar”; conforme Chave Lingüística do Novo Testamento Grego, Editora Vida Nova.

O Novo Dicionário da Língua Portuguesa traduz do latim: “RENUNTIARE” como: “Abdicar do uso de um direito ou da posse legítima de qualquer coisa. Não querer. Desistir do desejo, renegar. Afastar-se voluntariamente, abster-se; por de parte uma vantagem, sacrificar-se...”.

Observando o amplo significado, de acordo com o vernáculo, concluímos que a palavra RENÚNCIA, vai muito mais além que um simples vocábulo. Entende-se que a “renúncia” na vida de um cristão deve ser “progressiva”; isto é, todos os dias devemos praticá-la com ascendência. Jamais poderá ser apenas uma bandeira, ou uma nomenclatura. Deve fazer parte da vida cotidiana em todos os sentidos.

Conforme já exposto, seu sentido é despedir-se com a conotação de abandonar. Uma autonegação, abrindo mão até de sua personalidade. Jesus explica o paradoxo do discipulado como: “Perder a vida é encontrá-la; morrer é viver”. Renunciar a si mesmo é não assumir certo ascetismo falso, externo, mas colocar os interesses do Reino em primeiro lugar na vida de uma pessoa. “Tomar a cruz” não significa apenas suportar algum fardo irritante, mas RENUNCIAR as ambições centradas em si mesmo. Tal sacrifício resulta na vida eterna e na experiência mais repleta de vida no reino e agora (Ver Mc 10-29-30).

Vejamos abreviadamente alguns tipos de renúncias que um Cristão verdadeiro tem por obrigação de fazer:

Conforme já salientamos, são muitas renúncias que devemos fazer ao longo da vida, mas vejamos apenas dez que considero um bom começo para que possamos parecer um pouquinho com Cristo:

1. A Renúncia do Ego (Lc 9.23; Mt 13.22). Esse tipo de renúncia dói um pouco. É Abdicar do impulso natural do homem caído, que costumeiramente quer sempre se sobrepor aos demais. Esse comportamento às vezes fica escondido nos porões da alma humana, e com muita tristeza, no coração de muitos que se dizem cristãos.

2. A Renúncia da carne (1 Jo 2.15-17). A carne é nossa maior inimiga. Paulo faz uma linda exegese da guerra entre as duas naturezas no Capítulo sete de Aos Romanos. É propício citar os imperativos que o mesmo Apóstolo Paulo delineia em Cl 3.1-13: 1º Buscai (Cl 3.1), 2º Pensai (v.2), 3º Mortificai (v.5), 4º Despojai-vos (v.8). 5º Revesti-vos (v.12) 6º Suportai-vos. 7º Perdoai-vos (v.13). É uma renúncia cotidiana...

3. A Renúncia do ódio (1 Jo 2.5,9). Não faz parte da ética alimentar ódio entre os outros, muito menos entre cristãos que dizem crer no mesmo Jesus. Para um parco vislumbre tal atitude é natural a pessoas individualistas. Entrementes, na vida cristã, o amor deve fazer a diferença entre nós e as trevas (Mt 5.16). Jamais um cristão deve alimentar dentro de si o ódio, essa palavra deve ser tragada pela renúncia.

4. A Renúncia da contenda (1 Co 3.3). Lamentavelmente, é o que mais encontramos entre os cristãos. Se fosse entre os ímpios, até que se poderia ponderar, afinal são ímpios. Paulo faz reclamos desta maligna atitude na Igreja de Corinto. Estamos em meio a diversas contendas, daí o aumento de denominações com os nomes mais estrambólicos que se possa imaginar. Essas novas denominações e outras atitudes, até de crentes que querem fazer de suas casas igrejas, na grande maioria tem o seu nascedouro na CONTENDA. Para o cristão verdadeiro a renúncia da contenda é uma meta cotidiana.

5. A Renúncia da maledicência (Tg 3.1-12). Esse tipo de renúncia não é fácil, pois através das palavras ditas, podemos tropeçar. Tiago faz a comparação do freio que se coloca na boca dos cavalos. “A língua é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza e é inflamada pelo inferno” (Tg 3.6). Tem muita gente tropeçando com acusações constantes a outros irmãos, só porque se acham mais santos ou os únicos certos. A Renúncia da maledicência é pertinente a estes.

a) Influências da Fala. Segundo a Palavra de Deus, a língua é como o leme de um navio (Tg 3.4), tem poder para governar. É como uma pequena fagulha, tem poder de destruição. (Tg 3.5). É como um membro venenoso, tem poder de contaminação (Tg 3.4). É como um chicote, tem poder de tortura emocional (Jó 5.21). Tem o poder de uma pena de escrever, marca o coração (Sl 45.1; 54.7). É como uma navalha afiada, tem poder para cortar relações. É como uma espada afiada, uma arma de guerra à curta distância (Sl 57,4). É como uma flecha, uma arma de guerra à longa distância (Jr 9.8).

b) Tipos de Pessoas com a Língua Enferma. Os escarnecedores (Pv 13.1; Jd 17-19) são aqueles que além de individualistas, são também cegos. Os difamadores (Pv 16.28; Sl 101.5; Sl 15.1-3) são aqueles que possuem uma doença crônica aliada à inveja. Os cochichadores (Sl 41.7), o mesmo que murmurador; aquele que gosta de falar coisas más em voz baixa, o mexeriqueiro e bisbilhoteiro. Existe ainda a falsa testemunha, o intrometido (I Pe 4.15), o futriqueiro. Pessoas impertinentes, que gostam de irritar com suas línguas ferinas. Esses, precisam com urgência exercer a santificação de suas línguas.

6. A Renúncia do Desamor (Jo 13.34,35). “... E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará...” (Mt 24.12). O que dizer de novas igrejas ou novos ministérios que deixam de ensinar sobre o amor e incitam o “desamor” nos novos convertidos? Em vez de promover a comunhão, instigam o combate, a disputa e a contenda. Esses pretensos doutos lamentavelmente prestam um desserviço a causa santa, criando partidarismo, individualismo com perícia em acusações. Para ser cristão é necessário AMAR, mesmo aqueles que não comungam com os pensamentos que achamos certos e santos. A crítica construtiva estimula o raciocínio, mas a crítica sarcástica suscita a ira. Sejamos embebidos das Palavras de nosso MESTRE: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós ameis uns aos outros. Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Mt 13.34.35).

7. A Renúncia da Competição (Gl 5.20-22). Estamos vivendo no mundo das competições. Essa é uma doença dos séculos e mais acentuada nos tempos hodiernos. Tiago destaca esse comportamento como a sabedoria deste mundo: “Mas se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é animal, terrena e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso, ai há perturbação e toda obra perversa” (Tg 3.14-16). ARC. O Apóstolo Paulo demonstra a santificação de nossos relacionamentos aos Filipenses: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3).

8. A renúncia do Orgulho (Pv 8.13;16.18;Is 9.9; Mc 7.20-22). O orgulhoso traz consigo a egolatria da satisfação e vaidade. É um sentimento elevado que uma pessoa faz de si. Uma empáfia. Para entender bem o orgulho, basta estudar a natureza de Satanás. Suas prerrogativas são sempre de altivez. Veja a alegoria de como surgiu Satanás (Ez 28.14-17). “Em Isaias 14 vemos os passos de um orgulhoso e altivo: 1º Eu subirei ao céu (v13), 2º Acima das estrelas, 3º Exaltarei o meu trono 4º Me assentarei, 5º Subirei...”. Foi exatamente por causa do orgulho que surgiu o diabo. Hoje, com muita tristeza assistimos “supostos irmãos”, que fazem questão de exibir o orgulho religioso, como se sua denominação ou grupo iniciante fossem os únicos verdadeiros, deixando transparecer o seu nítido descaso aos demais irmãos. Alguns se esquecem de pensar que antes deles a Igreja já existia. Portanto, a renúncia do orgulho cabe muito bem a estes.

9. A Renúncia da Inveja (Gl 5.21). Podemos descrever a inveja como sentimento de desgosto pela prosperidade ou alegria de outrem, ou o desejo de possuir aquilo que os outros possuem. No grego: “Fthónos” (inveja) traz a conotação do desejo de se apropriar do que outras pessoas possuem, ou o desejo de privar o outro do que ele tem. A inveja tem causado muitos problemas a famílias, empresas, igrejas etc. Nem todos extravasam em alegria quanto um parente ou um “amigo” prospera. Por incrível que pareça alguns sentem inveja até da maneira que Deus usa certas pessoas. Enquanto não encontrar alguma coisa para intimidá-lo não sossega. Isso não deveria existir entre os cristãos.

10. Renúncia da Inimizade (Gl 5.20). O Cristianismo é tão belo e salutar! Os cristãos Deveriam promover amizades perfeitas e duradouras. Afinal temos muitas coisas em comum: A Bíblia Sagrada, Jesus, O
Espírito Santo, a Igreja, o céu, os dons e tantas ferramentas espirituais maravilhosas, que deveríamos viver um paraíso, um céu na terra através da koinonia. Mas para ponderar sobre isto, cito o Apóstolo Paulo: Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabais agora pela carne? (Gl 3.3).

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro Evangelho” (Gl 1.1). Na maioria dos casos esses que promovem a inimizades deixaram uma raiz de amargura crescer dentro de seus corações e brotar a REVOLTA dentre de si. Como fruto dessas reminiscências gera a confusão. Mas há uma solução: RENÚNCIA é a palavra de ordem para que as coisas regressem a normalidade espiritual.

Concluo com o Texto Paulino de 1 Coríntios 2.1-7:

“E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciado-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavra ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós,senão a Jesus Cristo e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor e em grande tremor. A minha palavra e a minha pregação não consiste em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. TODAVIA, falamos sabedoria entre os perfeitos, não porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam; mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória...”. (1 Co 2.1-7) ARC.

Shalom...

Pr. José Elias Croce.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PRECISA-SE DE PREGADORES E NÃO DE CONTENCIOSOS...

“Em nenhum outro há salvação...” (At 4.12). Estamos vivendo dentro de um contexto muito conturbado quanto à pregação do Evangelho de Jesus. Muitos, infelizmente embriagaram-se com nomenclaturas distantes da necessária e única, refiro-me a JESUS. A grande maioria dos pregadores de hoje, exibem: ideologias, denominações, estrelismo e outros, apenas manifestam seu desejo doentio de querer ser alguma coisa. Pregam presbiterianismo, arminianismo, reforma e reformadores, pentecostalismo neo-pentecoslismo e outros formam igrejinhas sob a batuta de um “déspota” contencioso só para discutir com o outro aquilo que nem eles mesmo sabem, isto é, brincam de igrejinha, E DIZEM QUE ISSO É renúncia. Esquecem-se ou não sabem que a BASE SEMPRE SERÁ A BÍBLIA SAGRADA. Não possuem chamada e se auto proclamaram a uma função ministerial achando-se os menestréis do saber. E A MAIOR DE TODAS AS TRUCULÊNCIAS, É QUE FORMAM DISCÍPULOS dessa discórdia sem a graça de Deus, isto é da “DES-GRAÇA”. Sua função única é sempre ACUSAR, polemizar e lançar contendas entre os irmãos. A palavra Acusador é a fiel tradução do termo grego: “DIÁBOLOS”, (DIABO), cuja função principal é de acusar. FUJA DESTES E PREGUE SOMENTE CRISTO. Daí a expressão: PRESCISA-SE DE PREGADORES... Tome cuidado com os “diábolos” pregadores a sua volta... “Porque nada me propus saber entre vós, senão a JESUS CRISTO, e este crucificado” (1 Co 2.2).

Shalom...Pr Croce.

domingo, 22 de agosto de 2010

POR TODA A VIDA...


“Cantarei ao Senhor toda a minha vida; louvarei ao meu Deus enquanto eu viver” (Sl 104.33).

NÃO É SÓ NO MOMENTO DA DOR- é para toda a vida. Não é só no momento da alegria – é para toda a vida. Não é só por aquele pequeno período de tempo anterior e posterior ao momento da conversão – é para toda a vida. Não é só por ocasião do batismo, da confirmação e do casamento – é para toda a vida. Não é na Páscoa, no Natal e no Ano Novo – é para toda a vida. Não é só durante a cerimônia fúnebre de um ente querido – é para toda a vida. Não é só na hora em que o carro despenca precipício abaixo – é para toda a vida. Não é só quando “os guardas da casa” (os braços) tremem e “os homens fortes” (as pernas) caminham encurvados, anunciando a proximidade do rompimento do “cordão de prata” (a morte) – é para toda a vida. Não deveria ser só naquele exato momento da “cessação definitiva de todos os atos cujo conjunto constitui a vida dos seres organizados” – deveria ser toda a vida até então.

É esse tipo de compromisso que o salmista deseja ter: “Cantarei ao Senhor toda a minha vida; louvarei ao meu Deus enquanto eu viver” (Sl 104.33).

De Deus não se tira férias. Sem Ele nada se pode fazer (Jo 15.5). Sem Ele a tranqüilidade desaparece. Sem ele a alegria se retira. Sem Ele morre-se daquela sede estranha, que vem da alma. Sem Ele o ideal de santidade esfria. Sem Ele o medo da morte cresce. Sem Ele a esperança perde a força. Sem Ele o demônio volta e traz consigo outros sete espíritos piores do que aquele que foi expulso (Lc 11.26).

Buscar Deus só em alguns momentos da vida é um desperdício. Deus é indispensável do berço ao túmulo, do nascimento (primeiro parto) à morte (o segundo parto)!

Refeições diárias com o sabor dos Salmos p.223.

Elben M. Lenz César.

Editora Ultimato.

terça-feira, 8 de junho de 2010

AS TRIBULAÇÕES E OPOSIÇÕES DO MINISTÉRIO CRISTÃO


“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33; Fp 1.29).

Introdução.

Quando fazemos uma retrospectiva sobre a vida dos homens de Deus no decorrer da história, verificamos que jamais existiu alguém que não tenha passado por lutas, cardos e dissabores, no exercício de seus ministérios. Isso suscita a pergunta: Porque tem que ser assim? Se a pergunta for desejosa por uma resposta sincera, logo se ouve o sussurro do Espírito Santo: “O mundo jaz no maligno e a obra de Deus é contrária à obra do maligno”. Apenas esta resposta já se torna suficiente para aceitar que há uma oposição progressiva a vida dos ministros de Deus gerando-lhes tribulações em todos os sentidos na vida daqueles que se dedicam a fazer o trabalho do Senhor. Esta é uma das lutas que se intensificam a cada dia que se passa devido à proximidade do retorno de Cristo, entretanto, há outros tipos de lutas que vão se desencadeando no exercício do santo ministério, e que o homem de Deus precisa estar plenamente consciente dessas aflições. Somente através da convicção de uma chamada ministerial pode-se superar tais intempéries. Vejamos como essas lutas se desenrolam e como vencê-las:

1. As tribulações do mundo das trevas (espirituais).

Para abrir um pequeno leque concernente a este assunto, vejamos o que diz o apóstolo Paulo a respeito do mundo a que outrora pertencíamos: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos de nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.1-3). Vamos pensar um pouquinho nestes opositores espirituais que nos cercam enquanto exercemos o ministério que Deus nos deu:

a) O curso deste mundo. O curso deste mundo é governado pelo “deus deste século” (II Co 4.4). Podemos afirmar que ele é responsável por boa parte de nossas tribulações. Suas ideologias bem como o seu código de conduta, para os cidadãos deste perverso sistema, conhecido como “sabedoria deste mundo”, muito bem enfatizado por Tiago que a classifica como “sabedoria animal, terrena e diabólica” (Tg 3.15), influencia este mundo em que vivemos. Ocorre, porém que é exatamente neste mundo que exercemos nossas atividades ministeriais. Assim sendo, devemos rechaçar esse “código de sabedoria diabólica”, para lograrmos êxito espiritual. Opor-se a este sistema, causa-nos lutas e tribulações. Tiago ressalta as qualidades desta sabedoria que quer nos sitiar como: “amarga inveja e sentimento faccioso” (Tg 3.14). Todos já sabemos que a inveja causa morte e assassinatos e o sentimento faccioso é partidarista, individualista e egoísta. Essas atitudes governam o mundo em que habitamos com toda sua intensidade. Quando reagimos através da sabedoria que vem de Deus, isto é: “com a pureza, paz, moderação, misericórdia, bons frutos sem parcialidade e sem hipocrisia e tratável” (Tg 3.17), incitamos o curso deste mundo para levantar-se contra nós, entretanto a sabedoria de Deus sempre suplanta a sabedoria do curso deste mundo. Com ela, venceremos os obstáculos e chegaremos ao nosso destino final.

b) O príncipe das potestades do ar. Este “príncipe” descrito como o “deus deste século”, é insistente e mestre em perseverança. Desestabilizar a vida do homem de Deus é sua tarefa principal. Ele quer de volta os seus antigos “servos”. É bom observar que o texto nos diz: “príncipe das potestades do ar”, e isto nos sugere uma multiplicidade de demônios que trabalham no esquema deste “príncipe”. Eles interferem nas administrações, governos, tomadas de decisões e toda espécie de leis contrárias à obra de Deus. Basta observar como é difícil aprovar uma lei que favorece o povo de Deus, mesmo tendo os nossos representantes nas diversas esferas do poder público. Há uma pressão perseverante contra o ministério de cada ministro de Deus nesta Terra. Não atentar para esta realidade é viver na cegueira espiritual.

c) O espírito que agora atua nos filhos da desobediência. O espírito da desobediência impera no mundo em que vivemos. Na verdade ele habita na vida de pessoas que não conhecem a verdade de Deus, isto é, não foram libertas, entretanto, há rondas e infiltrações deste “espírito de desobediência” no arraial dos santos (igreja) que contaminam o rebanho do Senhor, assim como ocorrem com as ovelhas, quando são acometidas de sarna ou mosca nasal, causando irritação e desconforto em todo o rebanho. Tais situações para um ministro de Deus geram preocupações e lutas que se unem na soma das tribulações ministeriais. Daí, a grande necessidade de ter intimidade com Deus para que nos revele o procedimento sadio e combater esses parasitas.

Paulo destaca com mais amplitude esses inimigos da obra de Deus em Ef 6.12, nomeando-os como “principados e potestades”. “Exousias e kosmokrátoras”, no grego. Essas palavras gregas, literalmente significam “governante mundial”, entretanto, neste texto refere-se a poderes malignos, que se levantam contra a obra de Deus.

2. As tribulações humanas.

Jesus salientou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). São diversas espécies de aflições que querem nos arrebatar de nossa vida ministerial. Às vezes temos a tendência de imaginar que alguns ministros ou obreiros não passam por tais situações pelo fato de não os ouvirmos argumentando ou porque os vemos pregando, aconselhando ou envolvidos com outros assuntos do ministério, contudo, podemos afirmar que não existe obreiro isento de aflições. Jesus conhecia muito bem esses momentos que todos passaríamos ao afirmar profeticamente que teríamos aflições. Vejamos algumas dessas aflições que ocorrem com os obreiros de Deus.

a) Aflições pessoais. O termo grego para “aflições” é “thlipsis”, que segundo o dicionário Strong: pode ser traduzido por: “Pressão, estresse, angústia, tribulações, adversidade, aflição, espremer, esmagar, apertar, sofrimento”. É colocar muita pressão no que está livre e liberto. Thlipsis é como pressionar espiritualmente a bancada. A palavra é também usada para esmagamento de uvas ou azeitona em uma prensa. Essas descrições etimológicas ampliam o entendimento daquilo que queremos expor como aflições. Nossa vida pessoal é marcada por momentos de pressões, que só a venceremos com a graça de Deus. Essas pressões podem ter muitos nomes: desejos não realizados, profissões que não podem ser exercidas, projetos que não se realizam por falta de verbas, incompreensões familiares, problemas conjugais, entre outros. A lista é enorme. Cabe nos escudarmos nas palavras de Jesus: (...) “Tende bom ânimo...” Essas palavras consoladoras revelam uma ação senadora através de nossa alegria e perseverança.

b) Aflições do cotidiano. O nosso cotidiano é cheio de surpresas. Nem sempre permanece a rotina. Podemos citar como exemplo a vida em uma cidade grande como São Paulo. Só quem vive nesta cidade é que sabe das aflições do ir e vir. São aflições para quem depende de ônibus, trens e metrô. Aflições para quem vai trabalhar de carro. Aflições da luta para não ser multado, não ser assaltado. Podemos acrescentar sobre as aflições que o consumismo gera através dos métodos apelativos de propagandas fazendo a população gastar até mesmo aquilo que não tem. O cotidiano de um homem de Deus também passa por muitas dessas aflições. É sempre bom pensar que ainda estamos na Terra, mas há poder no nome de Jesus! Aleluia!

c) Aflições carnais. A carne, isto é, nossa natureza humana, nos prova nas diversidades da vida. O apóstolo Paulo narra a guerra entre as duas naturezas no capítulo 7 de Romanos de uma forma impressionante. Suas palavras nesse capítulo nos colocam como reféns desta natureza carnal, que só pode ser vencida através da renuncia e “renúncia que não dói, não é renúncia”, conforme ouvi de um pregador em nossa igreja. Paulo chega a declarar da seguinte forma: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7.18,19). Receber uma revelação salvífica e uma transformação interior, não reverte essa situação, apenas lhe dá força e capacitação para vencê-las através do espírito de renúncia e confiança em Jesus Cristo (Rm 8.1). Andar em “espírito” é a nova maneira de viver para os que estão em Cristo Jesus. Esta aflição da carne nos acompanha enquanto estivermos neste limitado corpo. Ainda bem que é temporário. Aleluia!

d) Aflições familiares. Viver em família é também saber administrar conflitos. Nem todos estão preparados para administrar “conflitos familiares”. Eles surgem de repente. Assim, podemos dizer que o lugar mais difícil para exercer o Cristianismo é dentro de nossos próprios lares. Na família, todos se conhecem e sabem de nossos defeitos, nossos cacoetes, quem conseguir ser cristão dentro de casa, poderá ir longe no exercício ministerial. Infelizmente temos muitos como Naamã: Herói lá fora, mas dentro de casa, leproso. Essas aflições familiares são comuns, entretanto o homem de Deus necessita graça de Deus para vencê-las e ao mesmo tempo ser uma bênção para outras famílias em conflitos. Paulo pode dizer no final de sua carreira: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”. Que sejam assim nossas atitudes no decorrer de nossa vida.

3. As tribulações do sistema eclesiástico.

Enquanto a igreja imerge na simplicidade, como no nascedouro de uma nova congregação com o desenvolvimento da koiononia, espiritualidade e acima de tudo o amor, a Igreja fica parecida com Cristo. Assim foi o início das grandes denominações que hoje campeiam nossa nação. Entretanto, com o seu crescimento, também cresceram os problemas e o jogo de interesse no meio da igreja. Não queremos com isto dizer que a Igreja deixou de ser Igreja, mas quando a instituição cresce, também crescem os problemas e concomitantemente, as tribulações oriundas do mundo eclesiástico. Essas tribulações são históricas, basta dar um a olhadela nos problemas da igreja primitiva, e posteriormente o seu crescimento nos primeiros séculos, com divisões, heresias, falsidades e supremacias de uns grupos sobre outros. Entretanto, apesar de tudo isso, a igreja de Cristo subsiste e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). Contudo precisamos exercer o ministério com sabedoria e acuidade.

a) O problema competitivo. Isso é incrível, mas existe. Esta competitividade cresce, à medida que cresce a instituição. Entrementes, existem várias espécies de competitividade no meio eclesiástico. Podemos citar com assombro, a competitividade denominacional. Este é um dos fatores que vergonhosamente nos separa e se exclusivisa no cenário cristão, fato totalmente contraditório nos ensinamentos de Jesus. Nesta linha de raciocínio cada denominação gera suas políticas prisionais de seus membros em relação às outras denominações que “supostamente” pregam a mesma Bíblia e o mesmo Jesus. Esta é apenas uma das “questiúnculas”, que embora lamentável, é compreensível pelas formas de doutrinas que adotaram para diferir de outras. Contudo, haveríamos de supor que dentro de uma mesma denominação não existissem tais complicações. Infelizmente, continua o mesmo espírito exclusivista que cresce na medida em que cresce a denominação. São presidências de Igrejas, de convenções e de outros órgãos, em que seus líderes insinuam suas eternizações inquestionáveis, gerando desconforto generalizado entre os demais. Normalmente estes se cercam de “discípulos da concórdia eternizada e inquestionável”, que concordam com tudo, principalmente com os mais terríveis erros doutrinários e teológicos. Esta é uma competição desigual e maligna, mas, felizmente temporária; querendo ou não, o tal déspota que a governa. Aleluia!

b) O problema da inveja. A inveja é irmã gêmea do orgulho e do individualismo. É uma “erva daninha” que vai tomando forma e crescendo na vida dos incompetentes. Quando Deus levanta um dos seus ministros ou outros talentos que se sobressaem no exercício de suas funções com reconhecimento diante da igreja, ao mesmo tempo se levantam pessoas para colaborar com a causa, mas, levantam-se também os invejosos para colocar tropeços no avanço do trabalho que Deus entregou nas mãos de seus ministros. Tais pessoas não se expressam necessariamente, mas, suas atitudes revelam um trabalho opositor, assim como faziam Sambalate e Tobias contra Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 1.10,19-2). Isso gera tribulação na vida de um homem de Deus, todavia estes baluartes do Senhor se refugiam na oração e na proteção do altíssimo.

c) O problema político eclesiástico. A política eclesiástica é uma faca de dois gumes. Tem o seu lado bom, mas não deixa de ter o ruim. Por causa da política eclesiástica sem a direção de Deus, pastores sem vocação para o ministério têm assumido igrejas, causando um verdadeiro desastre em algumas localidades. Que bom seria, se em nossas igrejas houvesse o mesmo princípio da Igreja de Antioquia: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: apartai-me a Barnabé e a Saulo para uma obra que os tenho chamado” (At 13.2). Entendo que ainda existem “envios” direcionados pelo Espírito, mas também existem muitos que Deus jamais esteve nesse “envio” ou nesta posse. São situações resolvidas às escondidas com os devidos favorecimentos, ou “ágios”. Gente que nunca teve chamada ou inclinação para o “santo ministério”. Obreiros vazios e sem o devido preparo para tais posições. É o cumprimento da profecia paulina: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmo, avarentos presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, cruéis, sem amor para com os bons...” (II Tm 3.1-3). O princípio desta política maligna não é quantas almas serão ganhas e acrescidas, mas quanto vai render para mim... É a política individualista e egoísta! Dentro de um sistema com essas características, não vale ser homem de Deus ou mulher de Deus, mas a lei da conveniência. Isto traz tribulações infindas, que Deus nos ajude!

d) O problema da liderança despótica. Existem muitos líderes sem o devido merecimento. Nada fizeram, nada conquistaram e no decorrer de suas atividades captaram mais antipatia que simpatia. Chamam atenção para si em tudo, e por ironia ou outra coisa que nem sei definir agora, foram guindados a um poder temporário. Com muito acerto podemos dizer que o pódio não foi necessariamente uma conquista, mas uma imposição diante de mentes incautas que nem sabiam que tinham o direito de protestar. Outros, nada emitiram pelo fato de ser parte de uma cadeia de acontecimentos “despóticos”, igualando-se ao “déspota maior”. Assim, talvez, todos são “déspotas” que conservam um modelo repugnado por eles mesmos, mas admitem não encontrar outra forma de sobreviver. Logicamente, tais pessoas encontrariam outra forma, se de fato estivessem interessados, mas para que isso ocorresse, deveria abrir mão de benesses e recomeçar. Isso não passa na memória da grande maioria pertencente a este sistema. Sendo assim, melhor mesmo é conservar o “embusteiro” da liderança forçada. Esse tipo de “liderança” tem grande capacidade de gerar seus iguais, e o prejuízo continua, mas Deus tem um julgamento na medida para tais “líderes”. O tempo está próximo.

4. Armas que Deus coloca a nossa disposição para vencer essas tripulações do Ministério: (Ef 6.13-18).

Não podemos lutar sem armas, mas também não podemos usar qualquer tipo de arma. Isto é, jamais podemos lutar com armas humanas. Essa luta não contra carne e sangue. É hora dos ministros do Senhor se unir na especialização de armas espirituais. Medir força física, política ou humana não fazem a única diferença neste processo que estamos vivendo nestes últimos dias. Necessitamos saber usar apenas as armaduras espirituais. Deus sempre agirá em favor de sua Igreja santa, pura aquecida e aguerrida. Vamos relembrar de nossas armaduras:

a) As armas de defesa: Vamos seguir o método paulino tomando o exemplo das armaduras antigas como símbolos de nossa armadura espiritual. Paulo era homem intensamente viajado pelo Império, tendo sido encarcerado e solto por muito vezes, e estaria bem familiarizado com as armaduras de seu tempo:

• “Perikephalaia”. (O capacete). Esta protegia a cabeça. Era feito de várias formas e de vários metais, e com freqüência era decorado com grande variedade de figuras. Alguns capacetes possuíam uma crista, ou como um ornamento ou com a finalidade de aterrorizar, com figuras de leões, corvos, grifos, etc. Este último era um animal lendário, com corpo e pernas traseiras de leão, e cabeças e asas de água. Paulo faz o capacete representar a “salvação”.
• “Zoma”, o “cinturão”, posto em torno da cintura, útil para apertar a armadura em volta do corpo, mas também para sustentar as adagas, as espadas curtas ou quaisquer outras que ali pudessem ser penduradas. Paulo faz do cinturão símbolo da “verdade”.
• “Thoraks”, o “peitoral”, que consistia de duas partes, chamadas “asas”. Uma delas cobria a região inteira do peito, a parte frontal do tórax, protegendo os órgãos principais da vida, ali contidos. E a outra parte cobria uma parte das costas. Paulo faz isso representar a “justiça” ou “retidão”.
• “Knemides”, as “grevas”, que serviam para proteger as canelas, isto é, do joelho para baixo, e com frequência com uma extensão de couro que também protegia o pé.
• “Cheirides”, espécie de “luvas” que serviam para defender as mãos, bem como o antebraço, até ao cotovelo.

b) As armas de ataque:

• “Egchos”, a “lança”, usualmente munida de uma ponta de bronze ou de ferro, com uma longa haste de madeira dura, geralmente de “freixo”, árvores pertencente ao grupo da oliveira, mas dotada de uma madeira dura e elástica.
• “Doru”, o ”dardo”, menor e mais leve que a “lança”, que era atirado contra o inimigo ainda à distância.
• “Ziphos”, a “espada”, que tinha várias formas de dimensões. As primeiras eram feitas de bronze, e mais tarde começaram a ser feitas com outros materiais. Todas as espadas referidas nos escritos do Homero são as de bronze. Esse é o símbolo usado por Paulo para indicar a presença do Espírito Santo.
• “Machaira”, palavra que também significa “espada”. Mas era mais curta um pouco, frequentemente usada pelos gladiadores. Contudo, esta e a palavra anterior com frequência eram usadas como sinônimas, sem diferenças apreciáveis.
• “Aksine”, a “acha de armas” ou “machado de guerra”.
• “Pelekus”, a dupla “acha de armas”, com uma folha afiada para cada lado.
• “Korune”, a “maça”, feita de ferro, muito usada pelos persas e gregos.
• “Tokson”, o “arco”, completo com a “pharetta” “a aljava” e as flechas que no grego têm o nome de “bele”.
• “Sphendone” a “funda”, muito usada pelos hebreus e muitos outros povos, com grande habilidade.
• “Akontion”, o “dardo”, outro tipo de lança, mais leve que o “echos”.
• “Belos”, “flecha”.

Todas estas armas nos trazem um simbolismo riquíssimo como armas espirituais, muito bem explicitadas pelo apóstolo Paulo em sua epístola aos Efésios capítulo seis, versos dez em diante. Para cada armadura pode-se fazer um comentário pessoal e enriquecedor, de acordo com a luta cotidiana e individual que sofremos.

c) Outras Recomendações paulinas para o enfrentamento do inimigo:

• Firmeza contra as astutas ciladas do diabo (Ef 6.11). No grego “ciladas” é “methodeia”, que quer dizer “astúcia”, “planos” “esquemas”, ou, em linguagem militar, “estratagemas”. Quando tal palavra se aplica a Satanás, no NT, porém sempre indica seus maus desígnios. O comandante das forças malignas é o “diabo”, o grande mestre do ludíbrio e do engodo, que capitaneia as forças do mal com o bem. Sendo ele o comandante das forças malignas, é óbvio que toda a armadura espiritual é necessária para o crente, com toda a oração e súplica, para que essas forças sejam derrotadas. O fato que tantos crentes são derrotados na refrega é prova que não se têm preocupação com a preparação para a batalha espiritual, adquirindo a armadura espiritual necessária; e nem oram, com suficiente perseverança, para que o mestre supremo do mal seja vencido em suas vidas.

• Ficar firme (Ef 6.13). A recomendação paulina era para: “ficar firme”. No grego: “istemi”, que significa: ”oferecer resistência permanente e firme”, dando a entender que o crente deve resistir aos assédios da impiedade, deve batalhar com êxito, obtendo a vitória. Essa expressão indica a linguagem dos soldados: “Não recuar”, ao invés de fugir derrotado.

• Oração. Era costume, entre os antigos gregos e romanos, depois de terem revestidos de suas armaduras, comerem juntos e precederem o ataque com uma súplica aos deuses, pedindo sucesso. E esse costume se reflete no décimo oitavo versículo do capítulo seis de Efésios, pois além do revestimento da armadura, Paulo recomenda “... toda oração e súplica, orando em todo o tempo no espírito, e para isto com toda perseverança e súplica...” (Ef 6.18).

Entre os principais esquemas malignos do diabo na época de Paulo, destacava-se o esquema do erro, a teia bem tecida da ilusão gnóstica, na qual o apóstolo temia que as Igrejas da Ásia se deixassem enlear. O império de Satanás é governado com uma norma fixa, e sua guerra é levada a efeito com um sistema de ataque. As múltiplas combinações do erro, as várias artes da sedução e da tentação, as dez mil formas de engodo da injustiça, constituem as “ciladas do diabo”.

Conclusão.

Sabendo que este inimigo é espírito e precisa usar corpos para desempenhar seus astutos intentos, temos o desprazer de ver homens e mulheres, bem como líderes de sistemas e organizações, totalmente influenciados e “demonizados” com planos malignos e como fiéis discípulos das causas malignas. O mais triste é que às vezes esses planos “satanizados” entram na administração de certos sistemas eclesiásticos, com uma dosagem de piedade. Somente os eleitos de Deus, os vigilantes espirituais conseguem ver, e isto gera uma luta travada contra essas infiltrações no cerne da igreja. É lamentável que nesses sistemas, uma grande maioria se inclina aos feitos de tais lideranças como se fosse obra de Deus. São apenas estátuas: tem olhos, mas não vêem; boca, mas não falam; pés, mas não andam; mãos, mas não apalpam. Que o Senhor nos ajude a lutar contra esse reino da oposição que cresce no meio da Igreja. Vamos usar as armaduras de Deus com maestria e muita prudência.


Pr. José Elias Croce

A IGREJA E SUA MISSÃO DE SER UMA BÊNÇÃO


Introdução.

“A Igreja é uma fonte de riquezas de todos os níveis para os cidadãos da Terra” (Gn 12.1-3).
Antes de descrever essa peculiar missão da Igreja, vamos meditar abreviadamente sobre o que entendemos por “bênção”. O que seria essa bendita descrição? Quando podemos dizer que estamos vivendo sob bênção? Essa expressão é muito popular entre os evangélicos, fazendo parte do vocabulário dos crentes entre suas conversas e diálogos. Não tem sido popular no mundo secular, talvez pelo fato de estarem distante do culto a Deus e a frequência na Igreja. Entretanto, quando se diz: “Bênção”, tal palavra é carregada de um acontecimento divino, sinalizando um milagre ou uma interferência de Deus na nossa vida. Creio piamente que nesse bendito momento você debaixo de uma grande bênção! Deus disse a Abraão: “... E tu serás uma Bênção” (Gn 12.2).
1. O que se entende por Igreja?
A Palavra “Igreja”, no grego, “ekklésia”, significa “chamados para fora”. Originalmente, os cidadãos de uma cidade eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de tratarem assuntos comunitários. Da mesma forma, igreja é um grupo de pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial, pertencer a Deus e servi-lo (I Pe2. 9,10; I Ts 1.9).
a) “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).
Essa pergunta de Cristo aos seus discípulos forçou-os a pensar numa definição da missão cristológica, que consequentemente tornar-se-ia o fundamento da Igreja. “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16.16). A partir desta resposta, Jesus fez uma enfática declaração revelando aos seus discípulos a edificação, a jornada e o futuro de sua Igreja na Terra. O Senhor afirmou a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Quando o Mestre enunciou: “edificarei a minha Igreja”, identificou-se como o seu Arquiteto, cuja edificação entender-se-ia até “à consumação dos séculos” (Mt 28.2)

b) A Igreja é uma agência Divina na Terra. Tendo Cristo como fundamento, a Igreja torna-se numa fonte de Bênçãos aqui na Terra. Embora, haja falta de compreensão de uma grande maioria sobre o que representa a Igreja, estes, mesmo em suas ignorâncias são abençoados pela existência da Igreja. Onde se instala uma nova igreja, mesmo na sala de uma residência, nesse local chega uma nova fonte de bênção. Essa tem sido a nossa vocação: “Abençoar todas as famílias da Terra”. A bênção destinada a Abraão continua através da Igreja, tendo como fundamento nosso Amado Cristo. (Gn 12.2,3).

2. A Igreja é uma Instituição que Abençoa a Terra.
“Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. Quando examinamos o pacto de Deus com Abraão, observamos que Suas promessas para abençoar a Abraão não foram com o objetivo de excluir as nações de Sua bênção, mas de prover um canal pelo qual todas as nações seriam abençoadas. Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. A presença do povo de Deus na Terra abençoa as pessoas. Como exemplo podemos relembrar a intercessão de Abraão em Gn 18.23-33. Deus não destruiria uma cidade se nela houvesse apenas dez justos (v.32). A conscientização desta verdade deve dominar a vida de todos os servos do Senhor. Fomos chamados para ser canal de bênçãos.

a) A Bênção da Evangelização. Sempre devemos interrogar a nós mesmos, como poderíamos ser a mais completa bênção para o outro. Poderíamos momentaneamente talvez imaginar outras coisas, entretanto, o Espírito Santo nos inspirará a falar do melhor que pode acontecer a um ser humano, que é o conhecimento das Boas Novas. (Jo 8.32; 14.6; Mt 11.18). O Evangelho de Cristo se constitui no Poder de Deus para salvação de todo aquele que nEle crê (Rm 1.16,17). É somente através da evangelização que o homem conhece o meio eficaz da salvação. Logicamente que para evangelizar, é necessário entender amplamente o significado da palavra salvação e ao mesmo tempo ter experimentado os seus benefícios. Argumentar sobre salvação também é também revelar a condição de condenação que todos os sem Cristo estão envolvidos segundo a Bíblia (II Ts 1.8,9; Ef 2.1-3; Rm 3. 23; 5.12; 6.23; Jo 3.16).

b) A Bênção da Revelação. A presença da Igreja na Terra constitui-se na maior oportunidade do homem, pois Deus lhe deu uma revelação das coisas eternas. Enquanto o mundo secular preocupa-se com as coisas da Terra, isto é, com aquilo que é passageiro, a Igreja ocupa-se naquilo que é eterno (I Jo 2.15). Deus se revelou a Igreja de forma magnífica. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A Igreja possui um ensino libertador com um conteúdo eterno (Jo 8.36). Tudo o que o homem precisa está inserido nos ensinos da Igreja (I Pe 2.9). A revelação do caminho, do céu, das verdades eternas e questões espirituais das mais variadas formas que se possa imaginar, encontram-se nos ensinos e ministrações que Deus deu a Igreja (Mt 13.11). Envolver-se com a Igreja é entrar nos caminhos da sabedoria e ser templo do Espírito Santo (I Co 3.16; Ef. 2.21).

c) A bênção da Intercessão. Cabe à Igreja, enquanto estiver na Terra a missão de interceder por aqueles que estão em eminência (I Tm 2.1-3). “... Para que temos uma vida quieta e sossegada...” (v.2). Alguns ainda não perceberam a grandeza do poder da intercessão em nome de Jesus. Cabe essa colossal tarefa à Igreja e nesse exercício muitas vidas estão sendo abençoadas, pois essa prática abençoa as pessoas. Temos exemplos sobejos nas Sagradas Escrituras do poder da intercessão e seus resultados. Portanto, ser amigo de um crente, visitar uma igreja ou levar alguém a Igreja é conduzi-los a uma fonte de bênçãos.

3. O Impacto da Bênção Ética.
Numa sociedade corrompida, a Ética Cristã, gera impacto em todos os sentidos. Quando um cristão se recusa a mentir, se drogar ou cometer adultério revela a sua submissão ao Espírito Santo (Lc 14.33). Esse impacto é causado pelo compromisso e submissão ao Espírito Santo e consequentemente pela renúncia quotidiana. Em algumas situações essa mudança no indivíduo causa gracejos por parte dos incrédulos, pelo fato de interromper imediatamente um costume mundano antigo, causado pela conversão. Nesse caso a Ética Cristã supera as demais, por ser gerada pela presença do Espírito Santo. (Gl 5.25)

a) Nos Novos Convertidos. Um novo convertido demonstra sua nova vida através do efeito do Espírito de Deus no seu interior, como já disse o Apóstolo Paulo “Nova criatura” (II Co 5.17), ou como disse o Senhor Jesus: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O maior impacto da Ética no novo convertido surge através da mudança de comportamento. Essa mudança de vida do crente é percebida pelo incrédulo, mas não entendida conf. (I Co 2.14). A conversão traz consigo atitudes, costumes e comportamentos, completamente diferentes daqueles que eram outrora praticados, a tal ponto de gerar um certo inconformismo das atitudes, e posturas anteriormente praticadas. (Lc 15.21).

b) Na Sociedade. Jesus disse em Mt 5.13,14: “Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo”. Os dois valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e ao mesmo tempo, deve militar contra o mal e a corrupção na sociedade. O sal também representa as ações de ordem e equilíbrio que os cristãos exercem na sociedade. Como luz, o cristão deve ser um exemplo ético para todos os seus observadores. No Antigo Testamento, os rabinos referem-se à luz, atribuíam-na sempre a Deus, à Lei (Torah), a Israe. Assim é que Davi, em II Sm 21.17, aparece como a lâmpada de Israel. Os descendentes de Davi também são tidos como lâmpadas (I Rs 11.36; 15.4; Sl 132.17; Lc 2.32), chamados para brilhar neste mundo corrompido e perverso (Fp 2.15).

c) No Lar. A tragédia dentro do lar começa quando perdemos alguns valores. (Lc 15.9). Infelizmente, já não se conserva a Ética familiar em muitos lares. Muitos valores foram perdidos dentro do lar. Quando há prioridade para a palavra de Deus e a oração, certamente, os valores éticos ressurgem. Para encontrar a moeda perdida a mulher de Lc 15, teve que fazer três coisas fundamentais: “Acender a candeia, varrer a casa e buscar até achá-la”. Quando acontece a transformação na vida do marido ou da esposa, o Espírito Santo gera Ética no coração do converso manifestando-se em atitudes éticas gerando impacto benéfico que glorifica a Deus.

d) Na Conduta Cristã. Normalmente quando alguém se identifica como cristão, o nome já requer atitudes éticas, tendo em vista que o livro texto do cristão é a Bíblia Sagrada. Esse conceito pode nos deixar pensativos no que tange ao que não devemos fazer. Mas o propósito do nosso viver deve ser aquele que Pedro repetiu em sua epístola (I Pe 1.16): “Sede santos, porque Eu sou santo”. O conceito de viver de uma forma santa significa mostrar nas suas boas ações de Cristão, o exemplo encontrado na vida e ensinamentos de Jesus. Nossa obediência aos seus mandamentos, acompanhada de confiança nas suas promessas, nos traz grande satisfação e alegria em vez de frustração. Jesus é nosso exemplo. Somos responsáveis pela nossa voluntária colaboração com Cristo na criação de uma vida afirmativa e abençoada que resulta do nosso amor por Ele. (Jo 14.23; Ef 5.15).

4. A Missão da Bênção Espiritual da Igreja.
Uma das coisas mais salutares nesses tempos difíceis é desfrutar das bênçãos espirituais. O Apóstolo Paulo sinaliza e extensão desta bênção quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1. 3). Nessa mesma linha teológica argumenta escrevendo aos Coríntios: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém, é discernido...” (I Co 2.14,15). Nessa lida, a igreja tira as cortinas e revela os mistérios de Deus ocultos nos séculos (Col 1.26). Para que isto ocorra, é necessário ir além do natural, e isso somente é possível através do poder do Espírito Santo, concedido a Igreja (At 1.8,9). O Pastor Marcelo Rodrigues de Aguiar da Igreja Batista em Mata da Praia, E.S argumenta que “a Igreja deve ser uma bênção Profética, Espiritual e Emocional.”

a) A Igreja é Uma Benção Profética. O Senhor concedeu a alguns o privilégio de serem seus porta-vozes, prevendo desdobramentos futuros na vida de homens e nações. Nas Escrituras, essas pessoas são chamadas de profetas. Suas bênçãos (e até suas maldições) eram comunicações das bênçãos e maldições determinadas por Deus.
Ao abençoar Jacó e Esaú, Isaque foi usado por Deus para descrever com exatidão o que aconteceria a eles e seus descendentes (Gn 27.27-29, 38-40, 25.21-23).
Ao abençoar seus filhos e netos, Jacó profetizou sobre o futuro de cada uma das tribos de Israel (Gn 48.15-20; 49.1-28). Josué lançou uma maldição sobre aquele que reconstruísse a cidade de Jericó, e ela se cumpriu vários séculos mais tarde (Js 6.26; I Re 16.34). Observe que a maldição foi pronunciada por Josué, mas procedeu do Senhor.

O profeta Eliseu amaldiçoou alguns jovens que zombavam dele, e foram mortos por duas ursas (II Re 2.23,24). Jesus amaldiçoou uma figueira, e ela secou-se (Mc 11.11-14, 20, 21). O sumo-sacerdote Caifás, mesmo sem saber, foi usado por Deus para profetizar que Jesus morreria em lugar dos salvos (Jo 11.49-52). O que é impressionante na bênção profética é o fato de ela se cumprir fielmente. No entanto, precisamos saber que aquilo que se cumpre não acontece simplesmente porque as pessoas falaram, mas porque Deus falou através delas. O poder não está na palavra do homem, mas na palavra de Deus. A bênção e a maldição são determinadas por Deus, como resultado do comportamento do homem. Sendo assim, se uma pessoa amaldiçoa sem que isso tenha sido ordenado por Deus, tal maldição não se cumpre (II Sm 16.5-13; 19.15-23). Da mesma forma, não existe bênção profética se a iniciativa não tiver partido do próprio Deus (I Re 22.6,11, 12,34-37). A palavra humana não tem poder para criar nada! Só Deus tem poder para criar através da palavra. Na bênção profética a iniciativa é de Deus e não do homem. Não podemos criar nada através de palavras, nem forçar Deus a fazer nada através de palavras. O que conta é a bênção de Deus (Sl 109.28).
Nos nossos dias existem indivíduos que vivem com medo de ser amaldiçoados por palavras e ações alheias. Na verdade, há igrejas que ensinam isso. Elas conduzem seus seguidores a um estado de paranóia religiosa, insegurança e fanatismo. Mas os exemplos acima mostram como esse temor é infundado. Não é da vontade de Deus que os seus servos respirem uma atmosfera de medo e preocupação (Is 32.18).
b) A Bênção Espiritual. O aspecto espiritual da bênção talvez seja aquele ao qual estejamos mais acostumados. Toda bênção pronunciada é, de certa forma, uma oração. É uma súplica a Deus, porque Ele é a fonte de todas as bênçãos (Tg 1.17). Quando abençoamos alguém, estamos dirigindo a nossa fé ao Senhor, e rogando-lhe que seja favorável a essa pessoa. É também importante que aquele que abençoa seja alguém temente a Deus (Jo 9.31). Abraão pediu que Deus abençoasse seu filho Ismael, e foi atendido, ainda que a concepção daquele menino tivesse sido contrária à orientação divina (Gn 17.18-20). Jabez fez uma oração pedindo a Deus que o abençoasse, e também foi atendido (I Cr 4.9,10). Davi intercedeu por seu filho Salomão e Deus abençoou-o, poupando-o mesmo quando ele incorreu numa série de pecados (I Re 11.11-13). Timóteo, companheiro de Paulo nas viagens missionárias, foi abençoado pelas preces de sua mãe e sua avó (II Tm 1.5). Nenhum pai deveria negligenciar a tarefa de abençoar seus filhos, seja dizendo isso em voz alta, seja orando por eles a Deus. De certa forma, pai e mãe são os sacerdotes do lar. Podemos também abençoar nossos pais, irmãos, amigos, a nação e o governo intercedendo em seu favor. O Senhor nos deu o privilégio de abençoar. Seus ouvidos estão continuamente abertos às nossas preces.
Ao retornar vitorioso da batalha, Abraão foi abençoado por Melquisedeque (Gn 14.18-20). Chegando ao Egito, Jacó abençoou Faraó (Gn 47.7). No deserto, o sumo-sacerdote Arão abençoou o povo escolhido (Nm 6.22-27). Em Canaã, Josué abençoou as tribos de Israel (Js 22.6). Mais tarde, Davi abençoou seus súditos e sua casa em nome do Senhor (II Sm 6.18,20). Quando o templo de Jerusalém foi inaugurado, Salomão abençoou o povo (I Re 8.54,55). Chegando ao Novo Testamento, encontramos Jesus abençoando o pão antes de multiplicá-lo (Mt 14.19) e de instituir a Ceia (Mt 26.26). Ele também abençoou as crianças (Mc 10.16) e os discípulos (Lc 24.50). O apóstolo Paulo tinha o costume de iniciar e terminar suas cartas pronunciando bênçãos sobre os leitores (II Co 13.13). A bênção espiritual é, portanto, uma oração pedindo coisas boas para alguém. Ao contrário da bênção profética, a iniciativa aqui não é de Deus, mas do homem. E a maldição espiritual? Seria também uma oração, só que pedindo coisas ruins. No entanto, a Bíblia nos exorta a não fazermos esse tipo de oração (Rm 12.14; Jd 9). O crente deve ser apenas instrumento de bênção, jamais de maldição.
c) A Bênção Emocional. A palavra humana não tem poder para criar realidades. Ela, no entanto, gera situações. Tais situações podem influenciar as pessoas para uma ou outra direção. Este é o aspecto emocional da bênção. Quando damos a uma pessoa amor e valorização incondicional, pronunciando palavras que ajudem a visualizar um futuro de esperança e a entrar em contato com o seu potencial, estamos gerando uma situação propícia para que boas coisas aconteçam em sua vida. Se, pelo contrário, a rejeitamos ou de alguma forma damos a entender que o nosso amor está condicionado ao cumprimento de exigências, ou dizemos palavras que a marquem negativamente, ela passa a viver debaixo de uma “maldição” psicológica. As crianças, por exemplo, levam muito a sério tudo o que os pais falam. Estão convencidas de que tudo o que seus pais dizem é verdade, e de que todas as suas previsões haverão de cumprir-se em suas vidas. Quando um pai diz algo a respeito de um filho, está lhe dando um script emocional que ele procurará seguir à risca. Se essa palavra, então, for reforçada por um determinado tipo de tratamento, será difícil para o filho deixar de enxergar-se do jeito que o pai o vê. A bênção emocional, no entanto, não flui apenas dos pais para os filhos. Nossas palavras de valorização e aceitação podem abençoar pais, irmãos, amigos e cônjuges. Abençoar alguém é enxergar nele a dignidade e a beleza criada por Deus. “Bênção”, em grego, é “eulogio”. Conseguimos mais com elogios do que com críticas. Abençoar é falar bem de alguém, enxergar o seu valor e comunicar isso a ele. Aquilo que dizemos possui um grande poder (Pv 18.21). Crítica e rejeição podem prejudicar grandemente a vida dos que nos cercam. Por isso devemos prestar atenção ao que falamos (Tg 3.8-10). Se de alguma forma sinto que as palavras ou atitudes de alguém me marcaram negativamente, não preciso conformar-me com isso. Posso acreditar nas verdades divinas de que sou amado e importante (Jr 31.3). Posso abrir-me a relacionamentos saudáveis através dos quais serei abençoado. Posso agir com os outros de um modo diferente daquele com o qual me trataram, fazendo com que a desvalorização dê lugar à aceitação e alegria. Isso, sim, será uma verdadeira “quebra de maldição”!
Conclusão.
A Igreja é uma fonte de bênçãos infindas. Não desfrutá-las é enveredar-se por caminhos tortuosos e perder o rumo da vida. Como Igreja, devemos atentar para a cegueira dos “sem Cristo”, usando todos os meios possíveis que sejam atraídos as Bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Pertencer a Igreja de Cristo é fazer a diferença, onde que quer que estejamos. Devemos mostra sempre um caminho mais excelente. (I Co 12.31). Sua missão é ser uma Bênção! “Sê tu uma bênção” (Gn 12.2)
Pr. José Elias Croce

A IGREJA E SUA MISSÃO DE SER UMA BÊNÇÃO


Introdução

“A Igreja é uma fonte de riquezas de todos os níveis para os cidadãos da Terra” (Gn 12.1-3).
Antes de descrever essa peculiar missão da Igreja, vamos meditar abreviadamente sobre o que entendemos por “bênção”. O que seria essa bendita descrição? Quando podemos dizer que estamos vivendo sob bênção? Essa expressão é muito popular entre os evangélicos, fazendo parte do vocabulário dos crentes entre suas conversas e diálogos. Não tem sido popular no mundo secular, talvez pelo fato de estarem distante do culto a Deus e a frequência na Igreja. Entretanto, quando se diz: “Bênção”, tal palavra é carregada de um acontecimento divino, sinalizando um milagre ou uma interferência de Deus na nossa vida. Creio piamente que nesse bendito momento você debaixo de uma grande bênção! Deus disse a Abraão: “... E tu serás uma Bênção” (Gn 12.2).

1. O que se entende por Igreja? A Palavra “Igreja”, no grego, “ekklésia”, significa “chamados para fora”. Originalmente, os cidadãos de uma cidade eram chamados mediante o toque de uma trombeta, que os convocava para se reunirem como assembleia em determinado local, a fim de tratarem assuntos comunitários. Da mesma forma, igreja é um grupo de pessoas chamadas para fora do mundo, para formar um povo seleto, especial, pertencer a Deus e servi-lo (I Pe2. 9,10; I Ts 1.9).

a) “E vós quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).
Essa pergunta de Cristo aos seus discípulos forçou-os a pensar numa definição da missão cristológica, que consequentemente tornar-se-ia o fundamento da Igreja. “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16.16). A partir desta resposta, Jesus fez uma enfática declaração revelando aos seus discípulos a edificação, a jornada e o futuro de sua Igreja na Terra. O Senhor afirmou a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Quando o Mestre enunciou: “edificarei a minha Igreja”, identificou-se como o seu Arquiteto, cuja edificação entender-se-ia até “à consumação dos séculos” (Mt 28.2)

b) A Igreja é uma agência Divina na Terra. Tendo Cristo como fundamento, a Igreja torna-se numa fonte de Bênçãos aqui na Terra. Embora, haja falta de compreensão de uma grande maioria sobre o que representa a Igreja, estes, mesmo em suas ignorâncias são abençoados pela existência da Igreja. Onde se instala uma nova igreja, mesmo na sala de uma residência, nesse local chega uma nova fonte de bênção. Essa tem sido a nossa vocação: “Abençoar todas as famílias da Terra”. A bênção destinada a Abraão continua através da Igreja, tendo como fundamento nosso Amado Cristo. (Gn 12.2,3).

2. A Igreja é uma Instituição que Abençoa a Terra. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. Quando examinamos o pacto de Deus com Abraão, observamos que Suas promessas para abençoar a Abraão não foram com o objetivo de excluir as nações de Sua bênção, mas de prover um canal pelo qual todas as nações seriam abençoadas. Deus terminou dizendo a Abraão que nele seriam benditas todas as famílias da Terra. A presença do povo de Deus na Terra abençoa as pessoas. Como exemplo podemos relembrar a intercessão de Abraão em Gn 18.23-33. Deus não destruiria uma cidade se nela houvesse apenas dez justos (v.32). A conscientização desta verdade deve dominar a vida de todos os servos do Senhor. Fomos chamados para ser canal de bênçãos.

a) A Bênção da Evangelização. Sempre devemos interrogar a nós mesmos, como poderíamos ser a mais completa bênção para o outro. Poderíamos momentaneamente talvez imaginar outras coisas, entretanto, o Espírito Santo nos inspirará a falar do melhor que pode acontecer a um ser humano, que é o conhecimento das Boas Novas. (Jo 8.32; 14.6; Mt 11.18). O Evangelho de Cristo se constitui no Poder de Deus para salvação de todo aquele que nEle crê (Rm 1.16,17). É somente através da evangelização que o homem conhece o meio eficaz da salvação. Logicamente que para evangelizar, é necessário entender amplamente o significado da palavra salvação e ao mesmo tempo ter experimentado os seus benefícios. Argumentar sobre salvação também é também revelar a condição de condenação que todos os sem Cristo estão envolvidos segundo a Bíblia (II Ts 1.8,9; Ef 2.1-3; Rm 3. 23; 5.12; 6.23; Jo 3.16).

b) A Bênção da Revelação. A presença da Igreja na Terra constitui-se na maior oportunidade do homem, pois Deus lhe deu uma revelação das coisas eternas. Enquanto o mundo secular preocupa-se com as coisas da Terra, isto é, com aquilo que é passageiro, a Igreja ocupa-se naquilo que é eterno (I Jo 2.15). Deus se revelou a Igreja de forma magnífica. Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). A Igreja possui um ensino libertador com um conteúdo eterno (Jo 8.36). Tudo o que o homem precisa está inserido nos ensinos da Igreja (I Pe 2.9). A revelação do caminho, do céu, das verdades eternas e questões espirituais das mais variadas formas que se possa imaginar, encontram-se nos ensinos e ministrações que Deus deu a Igreja (Mt 13.11). Envolver-se com a Igreja é entrar nos caminhos da sabedoria e ser templo do Espírito Santo (I Co 3.16; Ef. 2.21).

c) A bênção da Intercessão. Cabe à Igreja, enquanto estiver na Terra a missão de interceder por aqueles que estão em eminência (I Tm 2.1-3). “... Para que temos uma vida quieta e sossegada...” (v.2). Alguns ainda não perceberam a grandeza do poder da intercessão em nome de Jesus. Cabe essa colossal tarefa à Igreja e nesse exercício muitas vidas estão sendo abençoadas, pois essa prática abençoa as pessoas. Temos exemplos sobejos nas Sagradas Escrituras do poder da intercessão e seus resultados. Portanto, ser amigo de um crente, visitar uma igreja ou levar alguém a Igreja é conduzi-los a uma fonte de bênçãos.

3. O Impacto da Bênção Ética. Numa sociedade corrompida, a Ética Cristã, gera impacto em todos os sentidos. Quando um cristão se recusa a mentir, se drogar ou cometer adultério revela a sua submissão ao Espírito Santo (Lc 14.33). Esse impacto é causado pelo compromisso e submissão ao Espírito Santo e consequentemente pela renúncia quotidiana. Em algumas situações essa mudança no indivíduo causa gracejos por parte dos incrédulos, pelo fato de interromper imediatamente um costume mundano antigo, causado pela conversão. Nesse caso a Ética Cristã supera as demais, por ser gerada pela presença do Espírito Santo. (Gl 5.25)

a) Nos Novos Convertidos. Um novo convertido demonstra sua nova vida através do efeito do Espírito de Deus no seu interior, como já disse o Apóstolo Paulo “Nova criatura” (II Co 5.17), ou como disse o Senhor Jesus: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). O maior impacto da Ética no novo convertido surge através da mudança de comportamento. Essa mudança de vida do crente é percebida pelo incrédulo, mas não entendida conf. (I Co 2.14). A conversão traz consigo atitudes, costumes e comportamentos, completamente diferentes daqueles que eram outrora praticados, a tal ponto de gerar um certo inconformismo das atitudes, e posturas anteriormente praticadas. (Lc 15.21).

b) Na Sociedade. Jesus disse em Mt 5.13,14: “Vós sois o sal da terra, e a luz do mundo”. Os dois valores do sal são: o sabor e o poder de preservar da corrupção. O cristão, portanto, deve ser exemplo para o mundo e ao mesmo tempo, deve militar contra o mal e a corrupção na sociedade. O sal também representa as ações de ordem e equilíbrio que os cristãos exercem na sociedade. Como luz, o cristão deve ser um exemplo ético para todos os seus observadores. No Antigo Testamento, os rabinos referem-se à luz, atribuíam-na sempre a Deus, à Lei (Torah), a Israe. Assim é que Davi, em II Sm 21.17, aparece como a lâmpada de Israel. Os descendentes de Davi também são tidos como lâmpadas (I Rs 11.36; 15.4; Sl 132.17; Lc 2.32), chamados para brilhar neste mundo corrompido e perverso (Fp 2.15).

c) No Lar. A tragédia dentro do lar começa quando perdemos alguns valores. (Lc 15.9). Infelizmente, já não se conserva a Ética familiar em muitos lares. Muitos valores foram perdidos dentro do lar. Quando há prioridade para a palavra de Deus e a oração, certamente, os valores éticos ressurgem. Para encontrar a moeda perdida a mulher de Lc 15, teve que fazer três coisas fundamentais: “Acender a candeia, varrer a casa e buscar até achá-la”. Quando acontece a transformação na vida do marido ou da esposa, o Espírito Santo gera Ética no coração do converso manifestando-se em atitudes éticas gerando impacto benéfico que glorifica a Deus.

d) Na Conduta Cristã. Normalmente quando alguém se identifica como cristão, o nome já requer atitudes éticas, tendo em vista que o livro texto do cristão é a Bíblia Sagrada. Esse conceito pode nos deixar pensativos no que tange ao que não devemos fazer. Mas o propósito do nosso viver deve ser aquele que Pedro repetiu em sua epístola (I Pe 1.16): “Sede santos, porque Eu sou santo”. O conceito de viver de uma forma santa significa mostrar nas suas boas ações de Cristão, o exemplo encontrado na vida e ensinamentos de Jesus. Nossa obediência aos seus mandamentos, acompanhada de confiança nas suas promessas, nos traz grande satisfação e alegria em vez de frustração. Jesus é nosso exemplo. Somos responsáveis pela nossa voluntária colaboração com Cristo na criação de uma vida afirmativa e abençoada que resulta do nosso amor por Ele. (Jo 14.23; Ef 5.15).

4. A Missão da Bênção Espiritual da Igreja. Uma das coisas mais salutares nesses tempos difíceis é desfrutar das bênçãos espirituais. O Apóstolo Paulo sinaliza e extensão desta bênção quando diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1. 3). Nessa mesma linha teológica argumenta escrevendo aos Coríntios: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém, é discernido...” (I Co 2.14,15). Nessa lida, a igreja tira as cortinas e revela os mistérios de Deus ocultos nos séculos (Col 1.26). Para que isto ocorra, é necessário ir além do natural, e isso somente é possível através do poder do Espírito Santo, concedido a Igreja (At 1.8,9). O Pastor Marcelo Rodrigues de Aguiar da Igreja Batista em Mata da Praia, E.S argumenta que “a Igreja deve ser uma bênção Profética, Espiritual e Emocional.”

a) A Igreja é Uma Benção Profética. O Senhor concedeu a alguns o privilégio de serem seus porta-vozes, prevendo desdobramentos futuros na vida de homens e nações. Nas Escrituras, essas pessoas são chamadas de profetas. Suas bênçãos (e até suas maldições) eram comunicações das bênçãos e maldições determinadas por Deus.
Ao abençoar Jacó e Esaú, Isaque foi usado por Deus para descrever com exatidão o que aconteceria a eles e seus descendentes (Gn 27.27-29, 38-40, 25.21-23).
Ao abençoar seus filhos e netos, Jacó profetizou sobre o futuro de cada uma das tribos de Israel (Gn 48.15-20; 49.1-28). Josué lançou uma maldição sobre aquele que reconstruísse a cidade de Jericó, e ela se cumpriu vários séculos mais tarde (Js 6.26; I Re 16.34). Observe que a maldição foi pronunciada por Josué, mas procedeu do Senhor.

O profeta Eliseu amaldiçoou alguns jovens que zombavam dele, e foram mortos por duas ursas (II Re 2.23,24). Jesus amaldiçoou uma figueira, e ela secou-se (Mc 11.11-14, 20, 21). O sumo-sacerdote Caifás, mesmo sem saber, foi usado por Deus para profetizar que Jesus morreria em lugar dos salvos (Jo 11.49-52). O que é impressionante na bênção profética é o fato de ela se cumprir fielmente. No entanto, precisamos saber que aquilo que se cumpre não acontece simplesmente porque as pessoas falaram, mas porque Deus falou através delas. O poder não está na palavra do homem, mas na palavra de Deus. A bênção e a maldição são determinadas por Deus, como resultado do comportamento do homem. Sendo assim, se uma pessoa amaldiçoa sem que isso tenha sido ordenado por Deus, tal maldição não se cumpre (II Sm 16.5-13; 19.15-23). Da mesma forma, não existe bênção profética se a iniciativa não tiver partido do próprio Deus (I Re 22.6,11, 12,34-37). A palavra humana não tem poder para criar nada! Só Deus tem poder para criar através da palavra. Na bênção profética a iniciativa é de Deus e não do homem. Não podemos criar nada através de palavras, nem forçar Deus a fazer nada através de palavras. O que conta é a bênção de Deus (Sl 109.28).

Nos nossos dias existem indivíduos que vivem com medo de ser amaldiçoados por palavras e ações alheias. Na verdade, há igrejas que ensinam isso. Elas conduzem seus seguidores a um estado de paranóia religiosa, insegurança e fanatismo. Mas os exemplos acima mostram como esse temor é infundado. Não é da vontade de Deus que os seus servos respirem uma atmosfera de medo e preocupação (Is 32.18).

b) A Bênção Espiritual. O aspecto espiritual da bênção talvez seja aquele ao qual estejamos mais acostumados. Toda bênção pronunciada é, de certa forma, uma oração. É uma súplica a Deus, porque Ele é a fonte de todas as bênçãos (Tg 1.17). Quando abençoamos alguém, estamos dirigindo a nossa fé ao Senhor, e rogando-lhe que seja favorável a essa pessoa. É também importante que aquele que abençoa seja alguém temente a Deus (Jo 9.31). Abraão pediu que Deus abençoasse seu filho Ismael, e foi atendido, ainda que a concepção daquele menino tivesse sido contrária à orientação divina (Gn 17.18-20). Jabez fez uma oração pedindo a Deus que o abençoasse, e também foi atendido (I Cr 4.9,10). Davi intercedeu por seu filho Salomão e Deus abençoou-o, poupando-o mesmo quando ele incorreu numa série de pecados (I Re 11.11-13). Timóteo, companheiro de Paulo nas viagens missionárias, foi abençoado pelas preces de sua mãe e sua avó (II Tm 1.5). Nenhum pai deveria negligenciar a tarefa de abençoar seus filhos, seja dizendo isso em voz alta, seja orando por eles a Deus. De certa forma, pai e mãe são os sacerdotes do lar. Podemos também abençoar nossos pais, irmãos, amigos, a nação e o governo intercedendo em seu favor. O Senhor nos deu o privilégio de abençoar. Seus ouvidos estão continuamente abertos às nossas preces.

Ao retornar vitorioso da batalha, Abraão foi abençoado por Melquisedeque (Gn 14.18-20). Chegando ao Egito, Jacó abençoou Faraó (Gn 47.7). No deserto, o sumo-sacerdote Arão abençoou o povo escolhido (Nm 6.22-27). Em Canaã, Josué abençoou as tribos de Israel (Js 22.6). Mais tarde, Davi abençoou seus súditos e sua casa em nome do Senhor (II Sm 6.18,20). Quando o templo de Jerusalém foi inaugurado, Salomão abençoou o povo (I Re 8.54,55). Chegando ao Novo Testamento, encontramos Jesus abençoando o pão antes de multiplicá-lo (Mt 14.19) e de instituir a Ceia (Mt 26.26). Ele também abençoou as crianças (Mc 10.16) e os discípulos (Lc 24.50). O apóstolo Paulo tinha o costume de iniciar e terminar suas cartas pronunciando bênçãos sobre os leitores (II Co 13.13). A bênção espiritual é, portanto, uma oração pedindo coisas boas para alguém. Ao contrário da bênção profética, a iniciativa aqui não é de Deus, mas do homem. E a maldição espiritual? Seria também uma oração, só que pedindo coisas ruins. No entanto, a Bíblia nos exorta a não fazermos esse tipo de oração (Rm 12.14; Jd 9). O crente deve ser apenas instrumento de bênção, jamais de maldição.

c) A Bênção Emocional. A palavra humana não tem poder para criar realidades. Ela, no entanto, gera situações. Tais situações podem influenciar as pessoas para uma ou outra direção. Este é o aspecto emocional da bênção. Quando damos a uma pessoa amor e valorização incondicional, pronunciando palavras que ajudem a visualizar um futuro de esperança e a entrar em contato com o seu potencial, estamos gerando uma situação propícia para que boas coisas aconteçam em sua vida. Se, pelo contrário, a rejeitamos ou de alguma forma damos a entender que o nosso amor está condicionado ao cumprimento de exigências, ou dizemos palavras que a marquem negativamente, ela passa a viver debaixo de uma “maldição” psicológica. As crianças, por exemplo, levam muito a sério tudo o que os pais falam. Estão convencidas de que tudo o que seus pais dizem é verdade, e de que todas as suas previsões haverão de cumprir-se em suas vidas. Quando um pai diz algo a respeito de um filho, está lhe dando um script emocional que ele procurará seguir à risca. Se essa palavra, então, for reforçada por um determinado tipo de tratamento, será difícil para o filho deixar de enxergar-se do jeito que o pai o vê. A bênção emocional, no entanto, não flui apenas dos pais para os filhos. Nossas palavras de valorização e aceitação podem abençoar pais, irmãos, amigos e cônjuges. Abençoar alguém é enxergar nele a dignidade e a beleza criada por Deus. “Bênção”, em grego, é “eulogio”. Conseguimos mais com elogios do que com críticas. Abençoar é falar bem de alguém, enxergar o seu valor e comunicar isso a ele. Aquilo que dizemos possui um grande poder (Pv 18.21). Crítica e rejeição podem prejudicar grandemente a vida dos que nos cercam. Por isso devemos prestar atenção ao que falamos (Tg 3.8-10). Se de alguma forma sinto que as palavras ou atitudes de alguém me marcaram negativamente, não preciso conformar-me com isso. Posso acreditar nas verdades divinas de que sou amado e importante (Jr 31.3). Posso abrir-me a relacionamentos saudáveis através dos quais serei abençoado. Posso agir com os outros de um modo diferente daquele com o qual me trataram, fazendo com que a desvalorização dê lugar à aceitação e alegria. Isso, sim, será uma verdadeira “quebra de maldição”!

Conclusão. A Igreja é uma fonte de bênçãos infindas. Não desfrutá-las é enveredar-se por caminhos tortuosos e perder o rumo da vida. Como Igreja, devemos atentar para a cegueira dos “sem Cristo”, usando todos os meios possíveis que sejam atraídos as Bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Pertencer a Igreja de Cristo é fazer a diferença, onde que quer que estejamos. Devemos mostra sempre um caminho mais excelente. (I Co 12.31). Sua missão é ser uma Bênção! “Sê tu uma bênção” (Gn 12.2)

Pr. José Elias Croce